Hipocrisia e malícia

 

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A Palavra de Deus constitui, em si, um desafio constante, perspicaz e surpreendente à nossa maneira de viver. Não nos deixa impávidos e serenos, como se nada tivesse a ver connosco. Algumas vezes, até se torna impertinente e desagradável, o acto de a escutar. Por vezes, chega a ser mesmo dura e cáustica, ao denunciar certas realidades que são um atentado à dignidade humana e, como diz o povo, ‘bradam aos Céus’. O texto do Evangelho deste Vigésimo Nono Domingo do Ano Litúrgico parece ser um desses casos.

Os fariseus enviam os seus discípulos não tanto para se inteirarem  ou aprenderem alguma coisa daquilo que o Senhor Jesus está a expor, mas, única e exlusivamente, para Lhe lançarem uma pergunta armadilhada que o pudésse desconcertar, surpreender ou fazer cair em qualquer contradição. Mas, tudo é arquitectado, com palavras, aparentemente,  muito elogiosas: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar  por ninguém,  pois não fazes acepção de pessoas…». A narrativa do facto continua, e pode ler-se , em seguida : «Jesus, conhecendo a sua malícia respondeu : ‘Porque me tentais, hipócritas ?»

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Meditando esta passagem da vida de Jesus Cristo, sinto-me muito mais inclinado, primeiro, a tomar em consideração as Suas palavras, fortes e contundentes, de uma verdade quase demolidora, para procurar, em seguida, descobrir onde quer Ele chegar ou a quem Ele se dirige ou que aspectos reprováveis Ele chama a nossa atenção, apelando, ao mesmo tempo e consequentemente, à necessidade da nossa parte de mudança de atitudes e comportamentos. É como dizer, de outra maneira,  Deus fala sobre os factos e sobre eles apresenta a leitura mais correcta. Ou ainda, a Palavra de Deus oferece-nos o significado dos acontecimentos e das atitudes e não somos tanto nós a procurarmos dar um significado às coisas que acontecem.

Não nego, no entanto, que este modo de pensa –  isto é, que Deus também nos diz a Sua verdade, directa e frontalmente – através das leituras da Sagrada Escritura, foi também provocado pelo Relatório dos Incêndios, em Portugal, cujas conclusões nos deixam petrificados de dor, indignação e vergonha e nos faz exclamar como Jesus: «Hipócritas!Quanta Malícia!». Tanta e tanta conversa para evitar dizer a verdade e assumir erros, incompetências e irresponsabilidades. Mas pior ainda, quando se percebe que há também negócios sujos e indignos por trás.

« Malícia! Hipocrisia!» é um mal, é um ‘polvo de muitos tentáculos’ que pervade a nossa sociedade actual, tanto nos grandes países ou super-potências como nos pequenos países, nos elegantes principados ou nas parasidíacas ilhas off-shores.

Surpreendentemente «os fariseus e os herodianos», aqueles que interpelaram Jesus, eram exactamente as pessoas mais influentes e os mais inseridos na política nacional.  São esses mesmos que vão ouvir Cristo a chamá-los de forma cristalina : ‘ Hipócritas ?» Que dizer dos nossos políticos, locais, nacionais, mundiais?

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O Senhor Jesus, pela conversa,  sobretudo com o elogio, cheio de verdade que, lisongeiramente, os seus interlocutores Lhe lançam,  deixa-nos um caminho em que só ele é capaz de contrariar seriamente « a malícia! a hipocrisia!» que invadem o nosso Mundo e a Política Mundial : «Ser sincero…Não se deixar influenciar por ninguém. Não fazer acepção de pessoas.»

O Evangelho deste Domingo termina ainda com a apresentação de um critério que, por fim, deve ser aplicado em toda e qualquer acção em consequência das nossas responsabilidades: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.»

Se, por um lado, somos chamados a contribuir para o desenvolvimento e o progresso da Criação e da Humanidade; por outro, como o Senhor bem nos diz, não podemos esquecer ou pôr de parte ‘o sentido de Deus’ na nossa actividade criativa.

 

Luís Sequeira, Sacerdote e antigo Superior da Companhia de Jesus em Macau. Escreve semanalmente neste espaço, sempre às sextas-feiras.

 

 

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  Xi Jinping, o líder indispensável

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Iniciou-se o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês ontem, dia 19 de Outubro. É um tempo de celebração, mas também de escolhas. Diz-se que as escolhas foram já feitas nos meses que o antecederam e que as várias estruturas do partido escolheram os seus representantes ao congresso nacional. Tenho dúvidas se não haverá acertos de última hora. Não é habitual o partido anunciar uma lista de demitidos na véspera da sua reunião magna. Só Mao o fez – e poucas vezes – quando a luta entre ‘as duas linhas’ estava acesa. É um sintoma de fragilidade política. Mesmo que se só se verifique a médio prazo.

Há seis ou sete pontos a decidir neste congresso, o último antes das celebrações dos setenta anos da fundação do regime comunista na China. O primeiro que considero adquirido é a confirmação de Xi Jinping com líder central [‘core leader’] do regime comunista chinês. Não há tradição na história dos partidos comunistas de vários candidatos competirem abertamente pela liderança do partido. As escolhas fazem-se nos bastidores e o líder é cooptado pela oligarquia partidária que ao fazê-lo, salvaguarda-se. Não há, para já, ninguém que desafie a liderança de Xi no tríplice de poderes que detém: Estado, Partido e Forças Armadas.

O segundo é quem sobe ao Comité Permanente do Comité Central – o ‘Standing Committe’ do Politburo. Por razões de renovação interna, pretextadas pela regra não escrita do limite dos 68 anos como idade limite para o exercício de cargos partidários, devem sair Zhang Dejiang, Yu Zhengsheng, Liu Yunshan, Wang Qishan e Zhang Gaoli. Apenas Li Keqiang se manterá com Xi. Tem-se falado bastante se Wang Qishan, o secretário da Comissão Central de Disciplina e Inspecção e o arquitecto da campanha anti-corrupção se manterá no lugar como paga pelos serviços prestados. Isso constituiria uma violação da regra da aposentação compulsiva. Não creio que a excepção seja criada. O Partido funciona por regras mais ou menos rígidas que lhe dão estabilidade e previsibilidade. O mais provável será Xi Jinping fazer subir ao Politburo um dos ‘deputies’ de Wang na Comissão Central de Disciplina. Por exemplo Zhao Leji, membro do Politburo desde 2012 e membro do ‘steering committe’ para a reforma económica. É um homem da Universidade de Pequim, onde Li Kejiang de licenciou em economia. A ‘alma mater’ tem importância.

Ainda neste ponto está por decidir quem poderá subir ao ‘Standing Committe’. Não há na tradição do Partido Comunista Chinês um número fixo de membros e ele pode ir de 5 a 9 [são sete presentemente]. A resposta passará pelo seguinte: se Xi se sentir com força interna para decidir quem subirá é provável que o quorum se mantenha nos sete; se ele achar que lhe reforçará a áurea de líder forte [mas magnânime] incluir outras sensibilidades na liderança, ao mais alto nível, pode se sentir tentado a alargar a composição do Comité Permanente para nove membros. Pendo para já para a segunda solução. Xi é um homem inteligente e sabe que ganhará “se der a mão” às facções da Juventude Comunista, dos “princeling” e de Xangai.

O terceiro ponto a esclarecer é quão forte e profunda tem sido a campanha anti-corrupção. Vários comentadores, entre os quais David Shambaugh, Jean-Pierre Cabestan ou Robert Sutter, apontam que ela tem sido apenas um pretexto, uma ‘capa’, para o reforço do poder pessoal, monolítico e muscular de Xi Jinping como líder incontestado [e incontestável] do partido e um mecanismo de purga de opositores internos. Percebo a lógica. Tenho dificuldade em justapor o perfil de líder de Xi Jinping ao perfil megalómano e psicótico de Mao Zedong aquando da Revolução Cultural ou da Campanha de Rectificação de Massas. Não há, que se saiba, dirigentes presos a coberto da noite, torturados pela polícia secreta ou executados com um tiro atrás da orelha na cave de uma prisão. Existe um clima de medo no partido quanto às consequências da tomada de decisões que possam chamar a atenção das “antenas” da Comissão Central de Disciplina a nível regional, municipal ou de unidade de produção. Os quadros que querem enriquecer com o desempenho de funções de topo são hoje muito cuidadosos. O dinheiro de “luvas’ e “comissões” continua a fluir para o estrangeiro para contas seguras e discretas em paraísos fiscais e assim continuará. O que mudou foi que o locupletamento pessoal à custa dos bens e fundos do Estado deixou de ser a excepção “generalizada”. Ora, para que isso se mantenha, é indispensável que a campanha se mantenha, combinando a “caça” a “pequenos peixes e grandes peixes”.

O quarto ponto a avaliar é se Xi Jinping quererá dar indicações de qual o seu substituto à frente do Estado e do Partido daqui a cinco anos. É a posição que corresponde à de Vice-Presidente da República. Se olharmos para as lideranças de Deng a Hu, esta fórmula foi sempre observada para dar indicação ao partido de quem a liderança consensualizou para ser o próximo líder e para os mecanismos de cooptação poderem funcionar bem como a gestão das carreiras dos quadros de topo. Não estou convencido que Xi terá tomado já essa decisão. Digo isso por uma razão prática e essencial: Xi não teve tempo ainda, pelo modo muito personalizado que tem do trabalho partidário, de seleccionar os membros da sua “facção”, se podermos falar de algo similar no caso de Xi. É que não se vislumbra uma lógica de exclusividade e coesão interna que sabemos existir nas facções habitualmente mencionadas.

O quinto ponto tem a ver com a projecção externa do estilo de liderança de Xi. Que consequências trará uma ainda maior concentração de poder pessoal nas relações da República Popular da China com: a) países vizinhos; b) o regime pária da Coreia do Norte; c) os Estados Unidos; d) a Rússia. Na comparatística dos regimes políticos e ao invés das aproximações tradicionais de Almond e Verba, Inglehart e Welzel ou mesmo Easton e Weber, a habitual díade regimes políticos democráticos-autoritários deixou de corresponder com acerto à enorme diversidade de regimes e estilos de liderança política. Se olharmos para a evolução dos processos eleitorais, no mundo livre, na última década, constatamos a preferência dos eleitores por líderes solipsistas, centralizadores em detrimento de lideranças colectivas e de equipa. Merkel, Macron, Trump, Kurz e Trudeau são exemplos de um novo tipo de liderança que tem mais similitudes com a figura do Kaiser alemão do que com um tradicional primeiro-ministro de uma democracia representativa. Ora este tipo de liderança está mais habilitado, por disposição e temperamento, a ter uma relação forte e personalizada com líderes personalistas como Putin ou Trump ou carismáticos como Macron ou Merkel. Esse é o perfil de Xi Jinping e isso explica – o há alguns meses seria um absurdo – a forma relativamente fácil como Donald Trump tem logrado encontrar consensos [como na crise da província coreana] que foram impossíveis com Barack Obama.

Isso tem a ver com uma forma carismática e personalista de exercer o poder que me lembra os directores executivos das grandes multinacionais. Na verdade, goste-se ou não, Donald Trump não precisa de consultar os aliados da NATO para as decisões que vinculam todo o espaço da Aliança Atlântica: limita-se a informá-los. O mesmo se diga de Putin no quadro da federação russa. Essa verticalidade do processo de tomada de decisão é música celestial para os chineses pois significa previsibilidade, segurança e fiabilidade.

Em conclusão, Xi Jinping vai gerir de forma ainda mais “oleada” as relações com as outras Grandes Potências e os consensos vão surgir como naturais. Isso não significa que os três Grandes [Xi, Trump e Putin] estejam sempre de acordo mas sabem a cada momento com o que podem contar. Neste quadro, vejo absolutamente natural uma neutralidade chinesa perante um ataque preemptivo a objectivos militares do regime da Coreia do Norte se as vias diplomáticas para congelar a corrida nuclear de Pyongyang falharem por completo.

Sexto e último ponto. E daqui a cinco anos para onde caminhará o Partido Comunista Chinês? Estaremos em 2022. Xi Jinping terá 69 anos de idade. Dificilmente cumprirá um terceiro mandato. Tal hipótese seria um tsunami na filosofia de renovação de liderança que de forma mais ou menos constante tem protagonizado. Não precisará disso para continuar influente. Chiang Kai-shek, Lee Kwan Yew mantiveram-se influentes mesmo quando abandonaram o poder formal nos respectivos países.

Arnaldo Gonçalves é jurista e professor de Ciência Política e Relações Internacionais. Escreve neste espaço quinzenalmente, sempre às quintas-feiras.

 

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O PSD, as eleições autárquicas … e outras coisas

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  1. Os resultados das eleições autárquicas do corrente ano representam um pesadíssimo revés para o Partido Comunista Português: menos um terço de câmaras municipais, perda de bastiões importantes (Castro Verde – do meu amigo Francisco Duarte – Almada e Barreiro, por exemplo. “Quem semeia ventos, colhe tempestades” …

Ao definir como estratégia política principal afastar do governo o partido vencedor das eleições legislativas de 2015, o Partido Comunista colheu, dois anos depois, a pior derrota autárquica de sempre.

  1. O Partido Social Democrata (PSD) teve nestas eleições autárquicas, e terá nas próximas eleições legislativas, os mais ingratos combates eleitorais dos últimos 43 anos da democracia portuguesa.

Fruto da quase bancarrota em que o Partido Socialista deixou o país, o PSD viu-se obrigador a aplicar um violento programa de austeridade que começou a ser desagravado durante o ano de 2015.

  1. A chegada da geringonça ao poder, nas condições particulares em que foi feita, inverteu aquilo que se convencionou chamar o “ciclo da governação”. Portadores de uma mensagem de “boas novas”, trataram de começar a repor salários, pensões e outras regalias, chegando a 1 de Outubro em óptimas condições para, em conjunto, vencerem as eleições locais.
  2. No entanto, tal como eu, milhares de portugueses não perceberam a natureza do “negócio político” que Partido Comunista Português e Bloco de Esquerda rubricaram com o Partido Socialista.

E quiseram-no deixar claro nas eleições: deram uma quase maioria absoluta ao Partido Socialista, castigaram o Partido Comunista e deixaram o Bloco de Esquerda com pouco mais de três por cento.

  1. O PSD, partido que tem estatutos, programa e projecto político, e que há mais de 40 anos é sufragado por milhões de portugueses de muitas gerações, não está a “caminho da extinção”. Por mais que, ao domingo, na TDM, “contrapontistas” lhe vaticinem esse destino.

Em condições muito difíceis, com erros próprios, obviamente, que ajudaram a confirmar a já esperada derrota, teve apenas menos 1177 votos que nas eleições de 2013.

  1. Mas será que o Governo do Partido Socialista tem aproveitado da melhor forma a conjuntura externa muito favorável que tem encontrado? A crer nas estatísticas do Eurostat, referentes ao 1º semestre do corrente ano, parece que não. Dos 14 países mais pobres da União Europeia, metade onde, infelizmente, nos situamos, fomos dos que menos cresceu. Pior que nós, só a Grécia (ver jornal “Expresso” de 16.09.2017).
  2. Se bem me recordo, uma das criticas que se fazia ao último governo do PSD era o facto da dívida pública ter crescido enormemente. Mas poderia ter sido diferente? Não foi nesse período que contraímos um empréstimo de 87 000 milhões de euros para “resolver” a quase bancarrota deixada pelo governo do PS?

A dívida pública portuguesa atingiu este Verão o valor mais elevado de sempre: 250 000 milhões de euros.

E agora? Não deveria estar a descer? Estará o governo do Partido Socialista a tentar fazer a “quadratura do círculo”? A tal alquimia, no dizer de economistas do PS, ou, para ser mais popular, procurar querer ter “sol na eira e chuva no nabal”?

 

António Almeida Azevedo, Engenheiro

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Deus posto de lado

 

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Ao meditar os Evangelhos deste e do passado Domingo como uma só narrativa, descobrimos um aspecto da mensagem de Jesus Cristo que é comum a ambos os textos : o ser humano é chamado a escolher entre o aceitar, ou não, o Reino de Deus ou a acolher ou não o convite de se encontrar Senhor, seu Deus. E, muito concretamente, vincando até, a possibilidade da sua resposta poder ser negativa.

Neste Vigésimo Oitavo Domingo do Ano Litúrgico lê-se: «Um rei mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos». A rejeição descrita no Evangelho da semana passada é ainda mais violenta : « Lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e o outro apedrejaram-no. ( Foram mandados ainda) outros servos, em maior número que os primeiros. E eles  trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou~lhes o seu próprio filho. Mas os vinhateiros, agarrando-o,  lançaram-no fora da vinha e mataram-no».

Ambas as parábolas, terminam com o castigo daqueles «malvados  assassinos», castigo esse que deve ser sempre entendido em estreita e grande complementariedade com aquelas outras parábolas da misericórdia infinita de Deus para com o frágil e o pecador.  Além disso, esse aspecto, o do castigo, não é a mensagem central da história. É circunstancial. Diria, no entanto, que, a metáfora deixa entender que,  no fundo do coração humano, permanece sempre o sentido do correcto e do incorrecto, do perfeito e do imperfeito, do bem e do mal. Mais ainda, comungando na fé daqueles que afirmam a existência e a experiência de  Deus mas também respeitando aqueles que, ao contrário, têm dificuldade em  chegar a Ele e até O possam negar, permanece, sempre e com certeza absoluta, a realidade de que no mais íntimo de todo o  ‘ser humano’, no mais intrínseco da sua essência e existência, existe o desejo, a aspiração e  a ‘sede de Deus’ .

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Procurando dialogar com a sociedade actual: que nos poderão dizer estes textos, a nós, homens e mulheres, do século XXI?

Perante a situação dos convidados que se recusam ir ao banquete que leva  o Senhor Jesus a criticar, seriamente, tal comportamento, não haverá algo de paralelo com a geração actual da humanidade ? Não estaremos nós também a  « pôr de lado», na nossa vida, com muitas desculpas,  Aquele que é o Senhor nosso Deus ?  Ele que se faz «próximo» de todos e de cada um de nós,  como verdadeiro Homem, e que fala no íntimo e no mais profundo do nosso coração?

 É um facto que não podemos ocultar ou escapar. Grandes zonas do mundo de hoje e, particularmente, nos auto-proclamados países mais desenvolvidos,  cresce o número daqueles que se afastam completamente da prática religiosa, esmorecem ou entram na apatia espiritual, ou ainda, Deus não tem qualquer sentido nas suas vidas.

Procurando entender o fenómeno do abandono  de tantos e tantos da sua  relação com Deus, sigo a linha de pensamento do texto evangélico. Deixo aquela via habitual de criticar a Comunidade cristã ou apontar as culpas a esta ou aquela pessoa que conhecemos. A pedagogia do Mestre conduz-nos,  ao invés,  a ponderar as motivações ou razões escondidas no nosso próprio coração ou na nossa própria inteligência.

Chega já de tanta lamentação, culpando os outros. Basta de tentar, sofregamente, de encontrar bodes expiatórios nos outros para encobrir as nossas atitudes perante Deus. É tempo de termos a humildade e a coragem de olharmos para dentro de nós mesmos.

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Segundo o Evangelho, três são os tipos de razões que estão na base da falta de sensibilidade ou do afastamento da experiência de Deus: o campo, o negócio, e o poder sobre os outros.

«Mas eles , sem fazerem caso, foram um para o seu campo». O excesso de preocupação pelo «seu campo»,  pela sua casa,  pelo seu comer,  pelo seu beber ou pelo seu vestir que tão apropriadamente a nossa sociedade apelida de ‘consumismo’ constitui, sem dúvida, um obstáculo ao encontro de Deus. Por diversas vezes, o Senhor Jesus chama a atenção para o excesso de preocupação pelas necessidades básicas do dia a dia. Essa ansiedade obsessiva faz-nos definhar na liberdade interior, na alegria de viver e na confiança na presença amorosa de Deus no nosso quotidiano.

«O outro ( foi)  para o seu negócio». Que o dinheiro, a riqueza e o andar metido em negócios, muito facilmente, pode afastar as pessoas de Deus, é uma constatação por de mais evidente nesta nossa sociedade influenciada tanto pelo capitalismo como pelo marxismo. O próprio Cristo afirma, peremptoriamente: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro ! »

 «Os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-no». Domínio sobre os outros, perdendo o sentido de Deus, a história da Humanidade está repleta. Não há nenhuma Civilazação, por mais brilhante e sofisticado que tenha sido, que não tenha abusado de poder e explorado o ser humano. Hoje, onde está Deus quando se constata, escandalosamente silenciada, a exploração dos pobres e fracos, imigrantes, trabalhadores clandestinos? Aqueles, indivíduos e companhias nacionais e internacionais que manipulam, abusam e comercializam sexualmente crianças, adolescentes e jovens, têm o sentido de Deus ? O aborto, a eutanásia, a manipulação genética  e da sexualidade pode ser praticado em nome de Deus ?

O humano e o  divino completam-se numa profundíssima coerência interna.

 

Luís Sequeira. Sacerdote e Antigo Superior da Companhia de Jesus em Macau, escreve neste espaço todas as semanas, sempre às sextas-feiras.

 

 

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No rescaldo das eleições na RAEM  

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Para quem acompanha à distância todo o processo eleitoral de Macau fica-nos sempre aquela sensação de que por aqui pouco nos importamos com os destinos da RAEM, se é que alguma vez lhe demos a importância merecida, mesmo quando por aí ainda gravitava o Governo português.

Depois das notícias sobre o tufão Hato que os “mídias” por aqui fizeram gosto em divulgar porque de “catástrofe” se tratava, fiquei à espera que também houvesse alguma informação sobre o resultado das eleições para a Assembleia legislativa da RAEM, até porque havia portugueses a candidatarem-se para a representação no território.

E como curioso destas questões começaria, desde já, por congratular, com uma saudação especial, a eleição de José Pereira Coutinho, assim como, da presença de outros nomes de portugueses que concorreram nestas eleições. Foram eles que tiveram a “nobre” tarefa de manter o baluarte simbólico da presença portuguesa em Macau; ou seja, provaram que os portugueses ainda podem fazer parte da vida socia, cultural e política da RAEM, através da sua acção inserida na sociedade civil do território.

Ao contrário do que se vai passando em Portugal ou pela Europa fora, o tempo de eleições em Macau não reflecte a conjugação das forças politicas em torno das estratégias doutrinárias, ideológicas e de foro colectivo que maximizam o princípio elementar da acção dos políticos: a captura e a manutenção do poder. Em Macau as eleições para a Assembleia Legislativa reflectem apenas uma composição de listas – e não partidos – que procuram a representatividade de um determinado sector da população.

Não é que estejam ausentes de uma certa orientação (ou manipulação) das posições políticas que se vão desenhando para as Regiões Administrativas e Especiais (RAE’s) da Republica Popular da China, apesar do fenómeno em Hong Kong ter já tomado proporções diferentes.

Ora, em Macau, por mais sufragado que sejam as listas candidatas, nenhuma poderá reclamar o exercício do poder, dado que as eleições não consagram o princípio da governação para quem foi o mais votado mas, apenas e só a sua representatividade em cerca de um terço do colégio da assembleia legislativa. Ou seja, por mais participativa que seja, ela reduz-se à possibilidade de participar minoritariamente na definição das politicas públicas da região, dado que os restantes deputados são eleitos por via indirecta (representantes das Associações) e por iniciativa do Chefe do Executivo.

Longe de querer fazer qualquer apreciação mais técnica, política ou de outra natureza sobre os resultados das eleições, apenas tento realçar a ausência de interesse que estas decisões tiveram em território português. Bem sei (ou sabemos) que a RAEM é já da tutela da República Popular da China, no entanto a sua Lei Básica consagra o “modo de vida” singular perpetuado pela governação portuguesa. Este motivo por si só seria o suficiente para nos interessarmos pelos destinos da Macau, facto este que parece não ter sido suficiente para uma reportagem mínima a explicar o que se passou em Macau a 17 de Setembro.

Esta questão, aliada a outras situações que vão decorrendo pacificamente no território de Macau, fazem-nos reflectir um pouco sobre as estratégias que Portugal tem vindo a desenvolver nas relações com a RAEM, privilegiando aspectos económicos, soltos e fragmentados e descurando os aspectos da participação na vida local, onde ainda é possível criar representatividade, quer por via directa quer por via indirecta.

A questão central que podemos aqui levantar será talvez a de questionar a razão da ausência de apoio (institucional e de referência mediática) aos portugueses que vivem no território e que se pautam por salvaguardar um papel activo na vida cívica e social de Macau. No fundo, são eles que impregnam a “moldura” da portugalidade e da lusofonia no “modo de vida” em Macau.

Será este um factor a ter em conta? Ou, pelo contrário, apenas nos interessa ter ligações que se traduzam por ter uma presença nos negócios que cada vez mais são diluídos numa corrente que se pauta pelo postulado da uniformização e da globalização económica sem espaço para as singularidades e identidades que são a verdadeira herança do legado português? O tempo se encarregará de nos ir dando as respostas.

 

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(o texto não segue o acordo ortográfico em vigor)

Carlos Piteira

Investigador do Instituto do Oriente

Docente do Instituto Superior de Ciências Socias e Politicas / Universidade de Lisboa

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Perdendo a sensibilidade moral

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O Evangelho do Vigésimo Sétimo Domingo do Ano Litúrgico apresenta-nos uma outra Parábola : «Havia um proprietário que plantou uma vinha… depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro e o outro, apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo.. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho… Mas os vinhateiros, … agarrando-o,  lançaram-no fora da vinha e mataram-no».

Se, por um lado e pelas próprias palavras de Jesus Cristo, se entende muito claramente que Ele se refere ao povo judeu que O rejeitou e que, por fim, acabará mesmo por O matar, sendo Ele o Filho de Deus, por outro, é também deixada atrozmente patente «a insensibilidade moral » dos vinhateiros que «lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e o outro apedrejaram-no. (Mandados que foram) outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo.. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho. Mas os vinhateiros, …agarrando-o,  lançaram-no fora da vinha e mataram-no».

Dois mil anos depois, olhamos para a sociedade actual. É facto, por demais evidente, que, nos países ocidentais, sobretudo da Europa, historicamente criados sob a inspiração cristã,  aumenta não só uma certa aversão à Cruz – por exemplo, as cruzes nas paredes da Escola – como também se afirma,  categoricamente,  a objecção em colocar a palavra Cristianismo na Constituição do Parlamento Europeu. Ao mesmo tempo, constatamos que, intimamente ligada a essa dimensão mais profunda da não aceitação de Cristo e do Cristianismo,  cresce também, como consequência, uma maneira de estar ou viver muito semelhante à dos vinhateiros. Lançar fora, agarrar ou empurrar à bruta, espancar, apedrejar e até matar parece não oferecer  grandes problemas de consciência. Mas, algo mais grave está a acontecer nas sociedades, ditas cristãs. Está-se a perder, dolorosa e dramaticamente,   a «sensibilidade moral », a saber aquilo que é bem  e aquilo é mal.

Atrevo-me a fazer uma leitura de um facto. Para mim, o Papa Bento XVI, na humildade e na grandeza interior da sua pessoa, totalmente dedicada a Deus e à Igreja,  é como que uma figura profética para a toda a Humanidade e para a Europa, em particular. Resigna como que a mostrar que a Europa perdeu,  por agora, « o espírito e a força moral» de outrora.

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Este princípio de Século e de  Milénio apresenta-se ainda muito como uma realidade um tanto ou quanto caótica, confusa e indeterminada. Estou convencido, no entanto, de que estamos a viver um momento de extraordinário valor civilizacional. Assim, a radicalidade, a profundidade e a criatividade de pensamento sobre a compreensão do que é verdadeiramente “Ser Humano”, hoje, são características a serem mantidas vigorosamente nesta busca da Verdade.  Além disso,  a Ciência, a Filosofia e a Teologia são chamadas a trabalhar com rigor e interdisciplinarmente. Questões como ‘Ser homem, Ser Mulher’, ‘Natureza ou Orientação’, ‘ Sexualidade e Amor’, ‘Família’, ‘Casamento, ‘Deus e o Homem’, ‘A Angústia Existencial’… deixam-nos com a pergunta : tudo aquilo que se defende na nossa sociedade, dominada pelo consumismo, hedonismo e  materialismo,  e pelo relativismo de valores, é «moralmente correcto?»

A Economia é, sem dúvida, um dos grandes motores de desenvolvimento da Humanidade neste Globo terrestre em que vivemos. Muitos afirmam mesmo que é o primeiro. Contudo,  consideremos  as necessidades básicas: comer, beber e vestir… Ao contemplar o mundo actual e objectivando, com a ajuda das estatísticas oficiais das grandes organizações humanitárias, as condições de vida de tantos e tantos milhões de seres humanos,  poderemos nós afirmar que existe ‘moralidade’ na nossa sociedade contemporânea?

Mas, pior ainda, é quando se descobre cada vez mais claro as manigâncias totalmente «imorais» dos economistas denominados ‘experts’, dos centros financeiros, das instituições bancárias e das agências financeiras.

E no mundo da Política, há Moralidade ? Quase que não há dia em que, em qualquer país, por esse mundo fora,  não apareça um caso de corrupção, suborno, má gestão consciente e fraude. A mentira é cada vez mais frequente, descarada e sem vergonha ou escrúpulos.

E em Macau? Tanto corre, de boca em boca, o nome daqueles da Administração que são directos e verdadeiros nas suas posições e decisões, como correm igualmente muitos comentários sobres aqueles que não são nem competentes, nem responsáveis, nem honestos. Mas o lamento e a crítica que mais se ouve é sobre aqueles que enchem os seus próprios bolsos e fazem prosperar os seus próprios negócios.

Luís Sequeira, Sacerdote e Antigo Superior da Companhia de Jesus em Macau. Escreve neste espaço todas as semanas, sempre às sextas-feiras.

 

 

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Verdadeiramente coerente

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«Um homem tinha dois fihos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha.’ Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero.’ Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor.’  Mas,  de facto,  não foi.»

O que aqui chama fortemente a nossa atencão é o contraste  das tomadas de posição dos dois irmãos em que o primeiro, ao princípio, diz não ao pai, mas, por fim, acaba por aceder ao pedido paterno. O segundo filho faz exactamente o contrário. Promete que vai, mas, afinal, não aparece.

Mas, ainda o mais assinalável desta parábola é aplicação que dela faz o próprio Jesus Cristo. O irmão que, finalmente, acaba por ir trabalhar para a vinha, depois de uma primeira reacção ter sido negativa é comparavel aos publicanos usurários, às mulheres de má vida, aos criminosos como “o bom ladrão” no alto da Cruz, que, com muita humildade, pedem perdão e se abrem à acção de Deus. Enquanto que, em contra partida, o irmão mais novo é identificado com os escribas, os princípes dos sacerdotes e os anciãos do povo, que, convencidos de que são os perfeitos cumpridores da Lei, não só não se transformam ou convertem interiormente como não acreditam no Filho de Deus, feito homem, revelado no Senhor Jesus.

Indo mais fundo na meditação da parábola, somos levados também a  compreender melhor a nossa natureza humana, a nossa própria pessoa: nós, como homens e mulheres. Descobrimos que todos nós podemos viver – para nosso grande espanto talvez e para além daquilo que possamos imaginar – num ambiente de certa duplicidade e ambivalência.  Em termos simples e directos, podemos aparentar ‘ser maus’ e, na verdade, ‘sermos bons’: isto é, externamente, parecer ser um brutamontes, rude e bronco, mas, no nosso interior, ser ‘uma jóia de pessoa’.

Infelizmente, a parábola transporta-nos igualmente para a situação contrária. Há quem pareça muito ‘boa pessoa’ – até muito ‘espiritual e santa’ –  mas, verdadeiramente, no mais íntimo, não passa de um farsante, um manipulador e o seu coração é como ‘um ninho de víboras’, como dizia um grande escritor da literatura francesa. Quanto perante estes o Senhor Jesus, no seu ministério, se mostra implacável no desmascarar a sua incoerência, a sua hipocrisia e a sua maldade camuflada e serpentina : « Hipócritas!  Raposa manhosa !»

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Creio que neste texto evangélico se nota ainda como que um apelo ao espírito de compreensão e misericórdia para com o homem do primeiro caso, que disse não, ao início, mas, depois, arregaçou as mangas e foi. No segundo, porém, sente-se maior rigor na análise da sua experiência, desmascarando o engano das palavras  e a irresponsabilidade da acção.

No rescaldo do Tufão Hato que deixou a nu as inconsistências e insuficiências das infra-estruturas e a ausência já escandalosa de um plano global urbanístico da «Cidade do Nome de Deus» e de todo o território,  assim como as incompetências de alguns Serviços Administrativos e seus Responsáveis, pergunto que estamos a fazer? As reuniões parecem ser convocadas. Mas, lá dentro diz-se a Verdade? Assumem-se, com humildade e coragem as Responsabilidades? Traçam-se Políticas e Estratégias com visão, rasgo e competência? Os Planos, os Programas, as Acções são coordenados por verdadeiros profissionais? Está tudo a ser trabalhado e organizado para ‘o bem comum’ e de toda a população ou continuam as manigâncias das grandes e costumadas  Companhias da Construção Civil e  Imobiliárias? O Erário Público é usado sério e propriamente?

Terminaram as Eleições. Apareceram caras novas, cheias de Esperança. Será a Assembleia Legislativa capaz de ser mais incisiva nos valores que contribuam para uma sociedade mais igualitária, justa e harmoniosa? Serão eles, deputados, homens e mulheres, defensores da liberdade e da integridade e, ao mesmo tempo, verdadeiros exemplos de competência e de responsabilidade no exercício dos seus mandatos?

 

Pessoalmente, possuímos todos um mundo de inúmeras ‘máscaras’ que cobrem e disfarçam o nosso interior e afectam as nossas atitudes exteriores.  Precisamos, portanto, de maior transparência nos nossos pensamentos, nos nossos sentimentos e nos nossos movimentos. Como, mais uma vez, nos diz Jesus Cristo, o  Mestre : «Que o vosso  modo de falar seja : ‘Sim, sim. Não, não ! » 

Rematando: que as nossas palavras sejam  confirmadas pelos nossos  actos e que os nossos actos nunca contradigam as nossas palavras.

 

Luís Sequeira, Sacerdote e Antigo Superior da Companhia de Jesus em Macau. Escreve neste espaço todas as semanas, sempre às sextas-feiras.

 

                    

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