O PSD, as eleições autárquicas … e outras coisas

1.Eleições

 

  1. Os resultados das eleições autárquicas do corrente ano representam um pesadíssimo revés para o Partido Comunista Português: menos um terço de câmaras municipais, perda de bastiões importantes (Castro Verde – do meu amigo Francisco Duarte – Almada e Barreiro, por exemplo. “Quem semeia ventos, colhe tempestades” …

Ao definir como estratégia política principal afastar do governo o partido vencedor das eleições legislativas de 2015, o Partido Comunista colheu, dois anos depois, a pior derrota autárquica de sempre.

  1. O Partido Social Democrata (PSD) teve nestas eleições autárquicas, e terá nas próximas eleições legislativas, os mais ingratos combates eleitorais dos últimos 43 anos da democracia portuguesa.

Fruto da quase bancarrota em que o Partido Socialista deixou o país, o PSD viu-se obrigador a aplicar um violento programa de austeridade que começou a ser desagravado durante o ano de 2015.

  1. A chegada da geringonça ao poder, nas condições particulares em que foi feita, inverteu aquilo que se convencionou chamar o “ciclo da governação”. Portadores de uma mensagem de “boas novas”, trataram de começar a repor salários, pensões e outras regalias, chegando a 1 de Outubro em óptimas condições para, em conjunto, vencerem as eleições locais.
  2. No entanto, tal como eu, milhares de portugueses não perceberam a natureza do “negócio político” que Partido Comunista Português e Bloco de Esquerda rubricaram com o Partido Socialista.

E quiseram-no deixar claro nas eleições: deram uma quase maioria absoluta ao Partido Socialista, castigaram o Partido Comunista e deixaram o Bloco de Esquerda com pouco mais de três por cento.

  1. O PSD, partido que tem estatutos, programa e projecto político, e que há mais de 40 anos é sufragado por milhões de portugueses de muitas gerações, não está a “caminho da extinção”. Por mais que, ao domingo, na TDM, “contrapontistas” lhe vaticinem esse destino.

Em condições muito difíceis, com erros próprios, obviamente, que ajudaram a confirmar a já esperada derrota, teve apenas menos 1177 votos que nas eleições de 2013.

  1. Mas será que o Governo do Partido Socialista tem aproveitado da melhor forma a conjuntura externa muito favorável que tem encontrado? A crer nas estatísticas do Eurostat, referentes ao 1º semestre do corrente ano, parece que não. Dos 14 países mais pobres da União Europeia, metade onde, infelizmente, nos situamos, fomos dos que menos cresceu. Pior que nós, só a Grécia (ver jornal “Expresso” de 16.09.2017).
  2. Se bem me recordo, uma das criticas que se fazia ao último governo do PSD era o facto da dívida pública ter crescido enormemente. Mas poderia ter sido diferente? Não foi nesse período que contraímos um empréstimo de 87 000 milhões de euros para “resolver” a quase bancarrota deixada pelo governo do PS?

A dívida pública portuguesa atingiu este Verão o valor mais elevado de sempre: 250 000 milhões de euros.

E agora? Não deveria estar a descer? Estará o governo do Partido Socialista a tentar fazer a “quadratura do círculo”? A tal alquimia, no dizer de economistas do PS, ou, para ser mais popular, procurar querer ter “sol na eira e chuva no nabal”?

 

António Almeida Azevedo, Engenheiro

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