A Mudança

 

1.Luis Sequeira

João Baptista  é figura central  no Evangelho deste Segundo Domingo do Advento. As as suas palavras não são nada meigas para os seus ouvintes. São exigentes.

Num primeiro momento, ele proclama com grande vigor: «Arrependei-vos…Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». Ele convida-nos, sem rodeios, à conversão do coração,  à transformação das nossas vidas,  a sermos  mais como Cristo Senhor:«Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida».

De facto, se a celebração,  todos os anos repetida, do Nascimento de Jesus tem algum sentido, deve levar-nos a nascer  para qualquer coisa de novo ou para fazer melhorar  tanto as características da nossa própria personalidade como também o nível moral ou espiritual das diferentes circunstâncias da nossa existência. Mais. Não podemos esquecer que, em tudo, somos chamados a caminhar para a perfeição e não para a superficialidade e  para a banalidade.  Jesus Cristo dirá mais tarde, já no seu ministério  público: « Sejam perfeitos como o vosso Pai do Céu é perfeito». Isto aplica-se a cada um de nós, como pessoa, como igualmente  deve atingir  todas  aquelas dimensões onde se manifesta a nossa presença.

 Mas, aqui gostaria de ir mais longe na compreensão deste melhoramento ou  ‘caminho de perfeição’, que nos sugere a meditação das cenas do Natal.  Podemos ficar na imitação dos modos  de actuar de Jesus, Ele que é ‘a perfeição’. Igualmente podemo-nos sentir inclinados a seguir e imitar os bons exemplos e as virtudes daqueles que acompanharam  o Menino Jesus, tais como,  de  humildade,  fé e confiança em Deus, de pobreza e simplicidade de vida, de  amor e  serviço aos outros, de piedade, de alegria.

Contudo, há uma outra dimensão que não podemos ignorar. Talvez mais profunda.  O Senhor Jesus assumiu, ao fazer-se homem, ser concebido no ventre de sua mãe, Maria,  nascer e crescer como criança,  adolescente e jovem,  como todo e qualquer ser humano.  Ele encarnou a nossa história humana, a história do nosso desenvolvimento pessoal,  as dores e as  angústias do nosso coração, marcado, inconscientemente, por feridas de um passado a que ninguém escapa. Sim,  Jesus encarnou, inteiramente, a nossa humanidade fragil e imperfeita para a trazer, novamente,  à santidade ,  à perfeição,  a ser, uma vez mais,  ‘imagem e semelhança de Deus’. Tudo aquilo que se recorda, durante as Festas de Natal, da concepção, nascimento, infância ou adolescência de Jesus é para que todos estejamos certos que nada,  nenhuma ferida ou chaga,  da história da  nossa vida escapará ao Amor misericordioso de Deus, revelado no Menino Jesus

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Proclama ainda,  num segundo momento, o maior dos profetas, João Baptista: « Raça de víboras … Praticai acções que se conformem ao arrependimeento que manifestais». Que contraste!  O Amor exige, aos homens e mulheres  possuídos de Deus, o dizer a Verdade, nua e crua. Por dizer a Verdade, João morrerá perante o tetrarca Herodes. Jesus perante Pilatos.

João Baptista, implacável perante a duplicidade e a hipocrisia. Jesus Cristo, mais tarde, chamará,  sem contemplações,  aos Sumos Sacerdotes e Doutores da Lei: «Hipócritas!»

 Como está o nosso Mundo e a Humanidade? Uma constante da sociedade actual, nestes últimos tempos,  é o aparecimento de jovens informáticos a desmascarar a mentira,  a falsidade e os esquemas enganadores das super-potências políticas, económicas e militares tal como, anos atrás, jornalistas destemidos e corajosas denunciaram os enredos vergonhosos dos governos mais responsáveis da política mundial.

A corrupção torna-se, à escala mundial,  um infindável flagelo. A vigarice económica e financeira é descoberta a todo o minuto. A ciência económica torna-se uma sofisticada degradação moral.

 

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Em Macau, aumenta o número daqueles que não são capazes de dizer, actuar e decidir em Verdade.

Há demasiado medo, grande falta de liberdade interior e ausência de sentido crítico.

 

Luís Sequeira, Sacerdote e antigo Superior da Companhia de Jesus em Macau. Escreve neste espaço às sextas-feiras.

 

 

 

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