Visões e caleidoscópios

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Fórum Macau – Cabo Verde

Cumprindo uma grande visão estratégica, a China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau, região estratégica, como a sua plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa. Em verdade, criou o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como Fórum Macau. Olhando as coisas da ótica do Atlântico, isto é do outro lado do mundo, a questão que se coloca é se Cabo Verde não seria uma excelente “plataforma” da China para a entrada comercial e não só na na CPLP (na Macaronésia), na CEDEAO e na União Europeia em vários sectores do desenvolvimento. Pensando alto, não seria salutar haver um Fórum Cabo Verde – país iminentemente geoestratégico e estável, a dar eco por estas bandas do mundo as resoluções do Fórum Macau? Algo a pensar…

 

 

Nova África 

 

Estará a África perante uma catástrofe económica e social? Não creio. O Continente cresce, libertando-se do rentismo puro e duro, e, a cada dia, da exportação das matérias-primas e da exclusividade da indústria extrativa, sujeitas aos termos desiguais de troca e à volatilidade de preços e procura no mercado global. Aos poucos, mas num caminho sem volta, a África radica o seu potencial de desenvolvimento na diversificação da economia, na economia real e na procura interna. Os africanos percebem que se impõe a educação e a inovação – a boa governação. E a democracia – entendida como regime de cidadania e das liberdades -, bem como a boa governação (a responsabilidade política e a transparência da administração pública), como pedra de toque. Aliás, já é notória e notável a pedrada no charco de tanto desenvolvimento.

 

 

Sem pão, nem circo

 

Em democracia moderna, é a cidadania quem mais ordena. No antanho, era a maioria. Ainda não tão outrora assim, era o povo. Hoje, é a cidadania. Por conseguinte, os espaços da cidadania consubstanciam-se na afirmação e na prática das “leis e regras” democraticamente estabelecidas. Este arrazoado todo para dizer a quem possa interessar de que “não há dono disto tudo”. E, se houver engano e/ou engodo, sobre assaz premissa, o jeito será baralhar as cartas… como desejarão os cidadãos livres e bons. Soltar os panos sobre os mastros no ar. Sem pão, nem circo, a estas horas.

 

 

Terceira Guerra

 

Nunca, desde a crise dos mísseis (em Cuba), momento nevrálgico da Guerra Fria, falou-se tanto em III Guerra Mundial. Nem mesmo durante os bombardeamentos na Jugoslávia, a invasão ao Iraque e os ensaios “nucleares” da Coreia do Norte, quando não o aproximar dos navios de guerra chineses nas ilhas em disputa. A guerra civil na Síria, já tornada guerra regional e em vias de colocar em colapso as relações entre duas superpotências militares – os EUA e a Rússia -, a pretexto de combater o Daesh (os refugiados à deriva, o regime de Assad e os curdos de permeio) são um grande perigo. O mundo, além do que aparenta, é hoje um lugar perigoso para se viver. O que o cidadão do mundo, em tomada global de consciência, poderá fazer?

 

Filinto Elísio, cronista e poeta cabo-verdiano. Escreve neste espaço uma vez por mês.

 

 

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