Preparar o futuro

1.Luis Sequeira
«Jovem, Eu te ordeno; levanta-te», diz Jesus neste Décimo Domingo do Ano Litúrgico. Quase sinto como se o Senhor estivesse a dirigir-se, com voz forte e firme, à Juventude, aos jovens de hoje, e a desafiá-los, declarando: ‘Levantai-vos, enfrentai o mundo.’
Torna-se avassalador e, pior, aterrador a torrente de notícias que nos chegam, de todos os continentes e a toda a hora e momento, a revelar quanta falsidade e mentira, manipulação e chantagem, corrupção e exploração, violência e morte na nossa sociedade actual. Por mais inacreditável que pareça, toda esta onda chega mesmo aos locais mais remotos e perdidos. Quem fará mudar esta situação, deveras, confrangedora ? A Esperança está nos mais novos. A Humanidade precisa dos Jovens para a sua transformação.
A reflexão que me vem é surpreendente. Pode até apresentar-se como chocante. De facto, toca-me mais o vigor das palavras de Jesus Cristo ao jovem, a chamá-lo à vida e à responsabilidade, do que ficar a contemplá-lo na situação de morto, circundado pelo choro da mãe e dos amigos e conhecidos.
Esta leitura, digamos simbólica e espiritual, leva-me ainda mais longe, a ser mais acutilante. Muito em particular, faz-me abordar um problema muito sério na sociedade actual: a vida familiar. Refiro-me, para ser mais directo, aos pais e ao seu papel na educação e formação dos filhos, especialmente tendo em conta a necessidade tamanha de novos paradigmas de existência no mundo. Estão, realmente, os pais, de hoje, a prepararem os homens e as mulheres do futuro, capazes de criar um mundo novo, mais justo, harmonioso e pacífico? Embora reconheça que possa ser melindroso tocar o assunto, em especial, da maneira que me chama a atenção, contudo, também não posso furtar-me a fazer uma reflexão sobre uma matéria que, deixada em aberto e sem solução, pode, no futuro, ser catastrófico para a Humanidade. Precisamos de formar Jovens para o futuro. E os Pais ? Estão eles preparados? Estão eles concientes das responsabilidades ?
O mesmo Evangelho, na mesma ordem de ideias e segundo a minha própria percepção e sensibilidade, é como se lançasse a pergunta á mãe: ‘Mulher, porque choras? A vida continua. Muito há que fazer.’
‘A mãe que chora’ pode bem simbolizar a crise, muito real entre mulheres, de saber o que é ‘ser mãe’ na sociedade contemporânea. Que o digam as crianças, em lágrimas, nos nossos colégios, quando falam do que se passa ‘em casa.’! E quando nos é permitido entrar nos recantos íntimos do coração das pessoa e ’a relação com a mãe’ é tocada ?
A contínua queixa sobre ‘o pai distante, ausente, quase desaparecido ou morto’ dos alunos na escola primária ou no colégio secundário e mesmo entre os pequenitos do Jardim de Infãncia é um facto inegável. E Cristo perguntará: ‘E vós, homens, onde andais ? Vós pais, onde estão os vossos filhos, se não lhes dais atenção e carinho ?’

Eis, em parte, a razão do apelo do Papa Francisco e do nosso Bispo Stephen para trabalhar mais na formação da família.

Luís Sequeira. Jesuíta. Antigo Superior da Companhia de Jesus em Macau. Escreve neste espaço às sextas-feiras.

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