Miscelâneas

 

Filinto-Elisio

No tempo que aí vem

 

A riqueza acumulada por 1% da população mundial superou a dos 99%, em 2015, um ano mais cedo do que se previa. Os poucos ricos, cada vez mais ricos, e os muitos pobres, cada vez mais pobres. Caso para interrogarmos sobre esta proporcionalidade nos nossos países. Quo vadis? Será que o ‘suicídio da pequena burguesia’ não aconteceu? Não estaremos, em certo sentido, a esbater o pós colonial com o endocolonial?

 

 

Arte como subversão dos domínios 

 

Não será a Arte a grande subversão do estabelecido político, social e económico? Não será a Cultura a agulha de explosão do paradigma do poder? Creio bem que sim. A socialidade da arte, nos tempos atuais, exige, de todos os arquitetos da palavra, um compromisso com a verdade e com a vida, mas não exige que a arte se submeta às camisas de força do mercado. Os dilemas ideológicos dos dias de hoje não se devem vincular aos padrões monetários do mercado, aos estilos de vida dos novos concentradores de riquezas, nem à linguagem das filosofias que apostam na aceleração das tecnologias que desumanizam o trabalho e agridem a dignidade das pessoas.

 

 

Cartas de Amílcar Cabral

 

Leio as epístolas como se estivesse a ouvir uma grande orquestra. Uma partitura complexa. Vozes sobrepostas. Melodias profusas. Uma sinfonia. Texto preparado para as energias do corpo e da alma. Alguma coisa nos acontece quanto temos a criação como ponto de partida. Acho que podemos falar de uma mística das cartas, assim como podemos supor a existência da vida mais alargada a partir das suas formas plurais de existencialismo. A intimidade e o contexto com que se montam o arquétipo da narrativa epistolar tanto podem construir a História de qualquer sociedade quanto fazer entender os processos sociais e políticos de qualquer temporalidade em andamento. Por isso, a intimidade, desde que não devasse a privacidade, pode ser pública. Neste caso, Amílcar Cabral, em muito do que fez, antes da luta armada de libertação nacional, serve de parâmetro à sua compreensão por estas epístolas. Lendo as cartas, entender-se-á o haver feito a guerra anticolonial e antifascista sem roçar o limite da barbárie e da violência indiscriminada, isto é, tornando a gesta um ato de cultura e de humanização, suscetível de emancipar o oprimido e o opressor. O elemento amor, em sua várias matizes, explica as atitudes e os comportamentos de quem soube ‘fazer diferença’ num contexto radical do conflito.

 

 

A morte e seu eco

 

A notícia da morte de Umberto Eco, pensador, professor e escritor, autêntico paradigma de intelectual moderno, deixa-me em estado de torpor. Digo para os meus botões: como ficará a tertúlia doravante com a partida de Eco? Pós enciclopedista, existencialista iluminado e, sobretudo, desafiador do absoluto – um “debole”, diria -, Eco é dos que nos ensinou a inquietação parabólica e a ousadia de tactear as saídas do labirinto.

 

 

Um tarde em Havana

 

O meu irmão telefona-me, maravilhado, de Havana, em véspera da visita oficial do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a contar a conversa com  Óscar Oramas Oliva, antigo embaixador cubano em vários países africanos e autor de “Amílcar Cabral para Além do Tempo”, sobre assuntos diversos. Há um próximo livro em gestação, um passeio pelo hotel que alojara Cabral por alturas da Tricontinental de Havana e entrega de um exemplar de “Cartas de Amílcar Cabral a Maria Helena: a outra face do Homem” (outro exemplar, mandamo-lo para Leila Guevara).  Ilha de Xangô e de Yemanjá, divindades que ornam o nosso quarto…iorubá igual a Bahia, como diria a música de Caetano Veloso.

 

 

 

 

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