Monumenta (com final em inglês, caramba)

 

[Poeira das Estrelas]

Em glosa

Tenho de escrever isto, glosando Fernando Pessoa: “É uma questão de estado mental sem necessidade de estado social.” Numa espécie de palimpsesto, queria dizer não exatamente assim, mas inferir que sem necessidade de estado político. Em abono da verdade, sem necessidade de estado político-partidário. O cronista põe-se a deambular a Baixa da hoje Cidade da Praia, a ver se, recuando no tempo, aparece-lhe Vasco da Gama, a celebrar tal missa que o levava à Índia. Ali mesmo, na Praia da Gamboa. É uma questão de estado mental o poder caminhar para o futuro, com os recuos às alvíssaras que tornariam a urbe ser de Santa Maria da Vitória. O cronista, assim meio derrotado, retoma a revista aos monumentos, sem que passe pelo Mausoléu, tornado insuficientemente panorâmico, mercê de um mercado provisório. Adiante.

Do insofismável monumento

Queria notícias, se as houvesse, sobre a cidade. Com perdão, sobre a Polis. Fazê-lo depois, já era em tardança. Todavia, os vadios iam, sem eira nem beira, à estátua do Homem de Pedra, urinol também dos cães. Não se sabe quando, mas também que não tardasse, por um sopro, tal qual acordou Osíris, a estátua, doravante em carne e osso, sairia a andar pela avenida, tornando afinal real a cidade que, desde os primórdios, era surreal. E, um belo dia, no adiantado da história (em terceira ou quarta repúblicas), o labrego, armado em ilusionista, entre mesmo numa das notas de cinco mil ou se encaixe, bonitinho, dir-se-ia um sem teto, nas estrofes de um outro hino nacional. Nem tudo que reluz é ouro, já que, pelos tempos de antena, se compraz haver muito latão fingindo-se prata.

Da estátua

Não me esqueço da cena, há mais de quarenta anos, quando a estátua de Diogo Gomes foi derrubada pelo afã nacionalista. De repente, o miradouro do Plateau, de cara para a Praia da Gamboa e do Ilhéu de Santa Maria, ficou vazio. Até os canhões de baluarte, outrora guardiões da baía da Vila da Praia de Santa Maria, ora eram sinais de franciscano abandono. Igualmente, lembro-me da reposição da estátua do Navegador Português, que, certa literatura, atribuiu a Descoberta de Cabo Verde (não o cabo, mas as ilhas), em 1460. O afã da democracia, com seus acertos e desacertos, repõe o monumento e repesca velhos topônimos, dos quais Bairro Craveiro Lopes, tornado Bairro Kwame Nkrumah, com a Independência Nacional. Pergunta-se: quanto do nosso existencialismo, com suas idas e voltas, tem o nosso processo histórico? E os canhões continuam abandonados pela baluarte…

Historical complexities?

A new wave of international student activism has targeted names, mascots, statues and other symbols of historical figures at colleges and universities. A statue of Cecil Rhodes, an architect of the apartheid, at the University of Cape Town was taken down, in March 2015, after a student movement emerged. Quo vadis?

Filinto Elísio

 

 

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