A Procura de Sentido

[Olhar ao redor]

Natal de 2015! Ano Novo de 2016! Celebrações e festas não faltaram. Por iniciativa dos responsáveis do município, vimos, este ano, ser acrescentado ‘o Festival das Luzes’ para abrilhantar os lugares mais significativos da cidade, concretamente, as igrejas mais antigas. À noite, os seus largos estavam repletos de gente. Eram as famílias com os mais pequenos, irrequietos, extasiados por tanta luz. Eram os jovens que tiravam fotografias. Eram os mais idosos que, bem aconchegados, sorriam perante a vivacidade e a alegria das gerações mais novas.

Se prestamos, por outro lado, um pouco de atenção às cerimónias religiosas e, muito particularmente, às leituras dos Evangelhos, ao longo deste período, não podemos de deixar de concluir que o centro da narrativa é Jesus. É-nos dado a conhecer a intimidade de Maria, grávida do menino, por acção do Espírito de Deus. As cenas tão duras quanto comoventes do seu nascimento são-nos contadas com grande vivacidade de pormenores. Os primeiros anos da infância de Jesus, por fim, apresentam-se cheios de dramatismo e tragédia.

Se admitimos que a nossa maneira ‘tradicional e burguesa’ de celebrar a quadra do Natal e do Ano Novo nos podem deixar insatisfeitos e até com algum peso na consciência pela superficialidade com que expressamos o ‘espírito’ da mensagem natalícia! Se acrescentamos ainda a situação actual do mundo em que vivemos, onde os focos de violência e guerrra proliferam a um ritmo aterrador e os refugiados crescem, aos milhares de milhares, por mar e por terra, procurando um abrigo de paz e segurança! Então, é de se perguntar o que é que, neste mundo, significa, para a Comunidade Cristã, celebrar o Natal? Ou que significa para a Humanidade e para o Mundo, o nascimento do Menino Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem ?

  1. Paulo, o Apóstolo, proclama e explica esse mistério do amor de Deus para com os homens, dizendo: «Ele ( Cristo Jesus ), apesar de sua condição divina, não fez alarde de ser igual a Deus, mas se esvaziou de si e tomou a condição de escravo, fazendo-se semelhante aos homens. E mostrando-se em figura humana, humilhou-se, tornou-se obediente até à morte.» Por outras palavras, Jesus vive em si, na sua única pessoa, a divindade do Filho de Deus e, de igual modo, a humanidade do Filho do Homem, o filho de Maria.

Como consequência, para nós, a nossa humanidade, em Jesus homem, tem sempre a certeza de poder, como criatura, ser transformada e crescer para a perfeição de Jesus Cristo, verdadeiro Deus. A humanidade e a divindade que, em Jesus, se vive em harmonia perfeita e divina, em nós, experiencia-se ‘à imagem e semelhança’ do Senhor Jesus.

Em termos mais simples e a partir de nós mesmos, os humanos, podemos afirmar, assim, que não há nenhuma realidade humana capaz de escapar à força transformadora e criativa do amor de Deus, encarnado em Jesus Cristo. Mais uma vez, tomemos, a propósito, as palavras de S. Paulo aos cristãos de Roma: «Quem nos afastatará do amor de Cristo:tribulação, angústia,perseguição, fome,nudez, perigo, espada?Em todas essas circunstâncias, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou. Estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem potestades, nem presente nem futuro, nem poderes nem altura nem profundidade, nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus Senhor nosso.»

É Natal. Celebramos o nascimento de Jesus. Ele, verdadeiro homem, tal como nós, também passou pela experiência de um parto de nove meses. Sentiu o frio de Inverno e a aspereza das palhas da manjedoura. Percebeu , através da aflição dos pais,do bater apressado do coração de Maria que Herodes queria matá-lo. A sua sensibilidade não esqueceu o balancear constante e durante muitos dias

do seu corpito frágil na fuga para o Egipto. Jesus, Deus feito homem, neste período da vida chamada infância, experimentou, tal como nós, as angústias e os sofrimentos, as alegrias e as consolações.

Ele, hoje, quer afirmar, acima de tudo, que toda e qualquer experiência humana – de modo particular a dolorosa – jamais escapará ao seu amor. A uns confirma já neste mundo, a outros na eternidade

 

Jesus tem um nome, tem uma família com antepassados e uma geneologia, pertence a uma raça, é educado no contexto próprio, é formado por uma cultura, expressa-se através de uma língua concreta, o seu povo tem uma história.

Jesus, Deus feito homem, assume plenamente a nossa humanidade.

O Natal desafia, asperamente, a nossa sociedade, dominada pelo consumo, o prazer e o fácil.

A Humanidade, em grande dor, geme.

São os pobres, os sem abrigo, os refugiados.

Os governos continuam preocupados pelo «ter» e não pelo «ser»

Esquecem, criminosamente, o valor da pessoa humana.

 

Luís Sequeira

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