O Cubo Mágico

[Poeira das Estrelas]

Filinto Elísio

O mundo dos de baixo

Tempo de acordar quem anda a dormir na forma, pois os sinais não são encorajadores. Nem os prognósticos são de feição. Como permutar os oito vértices do cubo mágico? A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) previu para 2016 um crescimento económico “dececionante e desigual”, mercê dos efeitos desestabilizadores nalguns países do aumento das taxas de juro nos Estados Unidos. Igualmente, apontou o arrefecimento da economia chinesa como uma das razões de sua apreensão. Outros aspetos que parecem contribuir para que as perspetivas sejam sombrias são a fragilidade no sistema financeiro de numerosos países e os problemas com a baixa do preço do petróleo, sobretudo para os países produtores. Tudo isso, como se pouco fosse, relacionada à fraca produtividade, à população envelhecida e à continuação da crise financeira mundial, que trava o crescimento na maior parte dos países e impõe, por desvio ao paralaxe, o terror em novas formas, especialmente com a campanha de execuções (ora, com bombas, ora com drones), também se impõe à escala global (cada um na sua máscara política, ideológica, religiosa, filosófica). Quo vadis? Os homens e as mulheres centrados apenas nas trajetórias macroeconómicas, com as suas previsões e deduções, bem como os políticos que olham para as alternativas a pensar em conspiração e os editoriais inflamados do pessimismo, esquecem-se que as soluções aparecem no mundo dos de baixo. E se os “condenados da terra” resolvem baralhar as mão e dar as cartas de novo. Afinal, o anagrama do FMI pode, virando o cubo mágico, ser uma espécie de FIM. E, por isso, de recomeço

Regionalização (girando todas todos os vértices do cubo)

 

Olhamos para a insularidade, a interioridade e a ‘diasporicidade’ de Cabo Verde e inferimo-nos da complexidade nacional. Confrontamo-la com algum discurso que não destrinça Regionalização do Regionalismo e que não centra o foco no direito/dever do cidadão, onde quer que se posiciona na Nação Global, à plena cidadania cabo-verdiana. Enquanto persistir o pensamento regionalista (algo arreigado na mente das elites e engana-se quem pense o contrário), de certa forma bairrista, continuaremos subdesenvolvidos. Seria mais inteligente aumentarmos a produtividade do país estimulando a escala centrífuga do todo, a competitividade das ilhas e a interação sinérgica entre as regiões, reduzindo disparidades políticas, económicas, sociais e até culturais. A rutura com o subdesenvolvimento não se basta com a meta (pouco ambiciosa, diga-se) de crescimento mais acelerado, mas sim com o incremento (mais efetivo e aqui está o desafio) da melhoria do Índice do Desenvolvimento Humano e com a educação (lato senso e para além do ensino) de qualidade. Regionalização? Porque não? Com causa e consequência, como direito e dever da cidadania; senão mesmo uma das formas de projetar Cabo Verde para o Desenvolvimento. Tudo isso, requer a reconversão das elites para o real patamar da produtividade e do conhecimento. Aliás, os moldes em que, historicamente, se processa “o mundo que o cabo-verdiano criou” deixaram pelo caminho cicatrizes cauterizadas e que ainda permanecem no imaginário das elites. Requer que as mesmas, não reduzidas à memória preconceituosa e à herança colonial e pós colonial, nem aquelas artificializadas por hegemonias endógenas, tenham hoje consciência crítica da complexidade nacional.

 

– O autor escreve ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico.

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