Formidable

[Poeira das Estrelas]

Filinto Elísio

Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl

Não para falar do filme de Gore Verbinski, realizado em 2003. Falo do achado por estes dias. O navio espanhol San José, localizado ao largo de Cartagena (Colômbia) e naufragado, no século XVIII, com um tesouro multimilionário a bordo, foi descoberto. As moedas de ouro e de prata, bem como as pedras preciosas, que fazem esse património subaquático (entretanto, o navio transportava tesouros do Peru para Espanha), pertencem a qual país? Do filme, seguiram-se a série com Dead Man’s Chest (2006), At World’s End (2007) e On Stranger Tides (2011). Poderia algo assim ter sido descoberto nos mares de Cabo Verde? Ou nos mares de Macau? Quo vadis?

O Charme Discreto

Ando com mania de cinema? Às vezes, são livros, outras vezes, músicas, quando não filmes. Só que, palavra, não estava a pensar no Le Charme discret de la Bourgeoisie, de Luis Buñuel. Naturalmente que a “Reaçonaria” nos quer em guerra suja e no pantanal. Todavia, Che recomendara “sin perder la ternura”. Que política nenhuma, sobretudo político algum, nos imponha retrocesso cívico, nem rendição à maledicência. Encarar a política de forma oblíqua carece de interesse e de “mise en perspective”. Não proferir por norma ofensa ao bom nome e à reputação de outrem, seja pessoa pública ou não. Impõe-se o espírito crítico, “mais sans perdre le charme”.

Les uns et les autres

Ou crónica da vitória anunciada, que não escrita por Claude Lelouch. O desfecho da primeira volta das eleições regionais francesas não constitui novidade. De repente, o país da liberdade, igualdade, fraternidade, se vê às voltas com o espectro da extrema-direita no poder. Fartas são as análises que atribuem a deriva do eleitorado francês a um fenómeno reativo, antes social e agora político. Entrementes, na Argentina, Brasil e Venezuela, as coisas estão turvas. Em verdade, na Venezuela, estão cambiadas. Será que a onda que indicia a Síndrome de Estocolmo invadirá a nossa praia? A alegoria da caverna de Platão nos sugere questionar o conhecimento e, por consequência, a verdade que, para não morrer, terá de ser consentida sempre relativa e plural. Nada se mostra previsível nestes tempos de mudanças climáticas.

Os Atentados

Os atentados, um pouco por todo o lado, confirmam que não há paz e segurança. A guerra, assim assimétrica, deslocalizada e sem periodicidade, impõe novas lógicas e levanta questionamentos sobre onde e como está (ou é) o inimigo. E a utilização eficaz das novas tecnologias (de informar, comunicar e matar), a contrastar o discurso retrógrado e teocrático, induz-nos ao caos mental e ao desafio do nosso pensar cartesiano. Os termos de referência deste novo conflito, que só se assemelha aos anteriores pela barbárie (não existindo, no tempo e no espaço, alguma guerra santa), continuam enigmáticos. O primeiro exercício será de compreensão do fenómeno, posto que a alienação nunca venceu guerra alguma e muito menos conquistou paz duradoura. Sabemos que as tempestades nos desertos e as primaveras árabes foram improducentes. Ou não foram? Lenhas na fogueira. A par do direito à legítima defesa (e, em muitos casos, à consequente punição), o dever da compreensão.

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