A ciência da homossexualidade

[Visto do Tibre]

Aurelio Porfiri, Maestro e Condutor Coral. Viveu em Macau entre 2008 e Setembro último.

Ao me debruçar sobre a pequena revelação protagonizada recentemente pelo Monsenhor Charamsa, que se declarou homossexual e anunciou que vivia com outro homem, coloquei a mim mesmo algumas questões que gostaria , por sua vez, de colocar ao Monsehor em questão: se é verdade que a homossexualidade é inata, Monsenhor Krzystof Charamsa sabia desde sempre que era homossexual.

Se sabia desde sempre que era homossexual e decidiu, ainda assim, enveredar pela carreira do sacerdócio, o caro Monsenhor teria certamente consciência de que a Igreja Católica não era exactamente o destino de viagem mais aconselhado para um homossexual declarado? Pode-se certamente ser católico e homossexual, mas, à luz da doutrina e da disciplina da Igreja, será que se pode ser sacerdote e ter um parceiro, seja ele heterossexual ou não?

Devolvo estas interrogações a Monsenhor Charamsa não em tom crítico, mas com respeito. Defendo que o tema da homossexualidade deve ser olhado de forma aprofundada e ir além da condenação simples e fácil. Como o próprio Papa Francisco afirmou numa das suas intervenções sobre a matéria, é um tema que pela sua difusão e relevância social, tem sido exaustivamente estudado. O que diz a ciência sobre a homossexualidade? Sem querer cair no cientificismo, não se podem ignorar, pura e simplesmente, milhares de estudos sobre o tema que revelam de que forma o Homem e a Natureza funcionam. Não sou dos que pensam que a ciência tem todas as respostas, mas defende que podemos, pelo menos, esperar que forneça algumas interrogações necessárias. Conheci ao longo da vida muitos homossexuais. Alguns, provavelmente, encontraram na homossexualidade uma forma de afirmação cultural. Outros confessaram-me que sempre – e desde sempre – se sentiram atraídos por pessoas do mesmo sexo. Sem qualquer motivo para duvidar da sua palavra ou para julgar que me poderiam estar a mentir, continuei e continuo a interrogar-me sobre a natureza da orientação e da atracção sexual que tem por destinatários pessoas do mesmo sexo. Creio que – e sem desprimor nem para a Igreja, nem para as comunidades homossexuais – é o que está a fazer também o Papa. Francisco tem bem presente a noção de que a homossexualidade não é um problema exterior à Igreja, mas algo que lhe diz respeito muito de perto, como a revelação do Monsenhor Krzystof Charamsa acabou por demonstrar.

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