Sobre a entrevista que concedi ao PONTO FINAL

[Carta ao Director]

Tive a oportunidade de ler a coluna (En Passant) em que José Rocha Diniz se refere à entrevista que concedi ao jornal PONTO FINAL, publicada a 24 de Setembro. Fico grato que José Rocha Diniz tenha lido a minha entrevista e respeito o seu direito a discordar comigo. De facto, é bom que alguém discorde do meu ponto de vista, até porque foram muitos os que expressaram a sua simpatia para com as minhas opiniões. No entanto, há alguns aspectos que desejo clarificar. Na entrevista que concedi nunca me referi a “professores de canto”, mas a professores de um modo geral. Nunca me referi em termos concretos a esta categoria. Quando me pronunciei sobre as dificuldades no relacionamento com outros músicos, não estava apenas a reportar-me à minha experiência: o mundo da música em Macau é, de facto, muito beligerante. Eu não sou, de todo, a única vítima destas circunstancias.

Estou certo de que quem leu a entrevista não assumiu que a minha intenção seria a de demonstrar ingratidão para com Macau. Em todas as entrevistas que concedi (inclusive na que concedi ao JTM e que não verá a luz do dia), sempre fiz questão de agradecer, antes de qualquer outra coisa, aos meus estimados alunos chineses e tenciono sublinhar ad abundantiam (já agora, obrigado pela citação em latim) a excelência do trabalho que desenvolvem. Esta foi a razão – o amor, o respeito e a consideração que os alunos me merecem – que me levou a falar. Fi-lo para que possam ter ao seu dispor um ambiente onde possam ser acarinhados e um lugar em que possam desenvolver o seu enorme potencial. Hoje em dia, Macau está longe de ser este lugar. Está no nosso direito, no meu entender, abordar aspectos que consideramos urgentes e questionar a forma como somos governados. Se não o fizermos, de que outro modo podemos exercer controlo sobre quem nos controla? Quis custodiet ipsos custodes?Juvenal estava certo. Temos de nos manter alerta e temos de manter a guarda elevada. Em Itália temos um provérbio – il medico pietoso fa la piaga purulenta – que diz qualquer coisa como “O médico piedoso torna a ferida purulenta”.Esta foi a razão pela qual me pronunciei.

Estou certo que ambos temos as opiniões que temos porque ambos amamos Macau. Espero que Macau possa ter um coração suficientemente grande que possa acolher ambas as nossas visões e ideias dissonantes, de forma a que um melhor futuro para esta cidade possa ser construído.

Deixe-me agradecer-lhe, caro José Rocha Diniz, pelo apoio e pelo encorajamento que concedeu às actividades que organizei no passado, aqui em Macau.

Aurelio Porfiri, Maestro

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