Salvar a identidade chinesa numa sala de aulas? Tudo errado.

Jason Chao, activista do grupo Consciência de Macau

Na segunda-feira, 27 de Julho, o vice-director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau pediu aos jovens de Macau que “fossem ao encontro dos requisitos ideológicos definidos pelo Governo Central”. Não foi a primeira vez que as autoridades chinesas demonstraram abertamente a sua preocupação em relação à “fidelidade à China” da juventude local.

Para evitar dúvidas, a não ser que eu determine de forma diferente, as referências à identidade chinesa neste artigo são respeitantes apenas à nacionalidade.

Pouco depois de Xi Jinping ter salientado a necessidade de “cultivar junto da juventude o culto do “um país dois sistemas”, num discurso feito durante a visita a Macau, em Dezembro de 2014, surgiram rumores de que haveria um reforço da educação nacional em todas as escolas.

O actual sistema de educação de Macau dá às escolas autonomia na selecção e na definição do currículo. Algumas escolas cristãs incorporaram a educação cívica na disciplina de estudos religiosos, em vez de assegurar aulas separadas. Surgiram rumores de que o campo pró China estava a tentar convencer a DSEJ a declarar a educação cívica como uma disciplina obrigatória em todas as escolas, incluindo as que são baseadas na fé. Claro que os manuais de educação cívica publicados pela China contêm elementos necessários para que o Governo introduza a educação nacional em nome da educação cívica, com o objectivo de desenvolver o amor pela China junto dos estudantes.

No passado, os jovens de Macau aceitaram bem a identidade chinesa. As associações pró sistema e as escolas têm desempenhado um grande papel no reforço e na elevação do status quo, da identidade nacional chinesa. O lançamento bem-sucedido do foguetão espacial e os Jogos Olímpicos de Pequim 2008 elevaram o orgulho na identidade chinesa.

Mais tarde, o crescimento da influência global da China não ajudou a manter o orgulho nacional no coração das pessoas de Macau e Hong Kong. Tendo em conta a história das duas regiões enquanto janela do mundo para a China, muitos pensaram que os aspectos positivos dos sistemas legais da RAEM e da RAEHK pudessem servir de referência valiosa para a China, no seu processo de democratização. Contudo, depois da transferência de administração, houve uma mudança da tendência de influência. Os Governos das regiões administrativas estão cada vez mais inclinados a trabalhar como o Governo Central.

Aqueles que se consideram parte da grande família chinesa podem achar extremamente difícil exercer influência junto dela, até porque evitar que as nossas cidades de origem sejam minadas pelas características indesejadas da China já é um grande desafio.

O director do Gabinete de Ligação ao Governo Central, Li Gang, revelou em Março que a taxa de reconhecimento dos jovens da identidade chinesa caiu de 90, em Agosto, para 50 por cento, em Dezembro de 2014. A descida significativa que ocorreu no espaço de meio ano pode ter levado Xi Jinping e os oficiais Chineses a anunciar publicamente algo sobre o culto do orgulho na etnicidade (Chinesa) na educação local.

Apesar de nenhumas sondagens – em particular, aquelas que considero credíveis – terem sido publicadas para providenciar números, baseado na minha observação, as pessoas, com idades na casa dos 20 anos, tendem a rejeitar ou negar a identidade Chinesa, ao mesmo tempo em que adoptam uma identidade mais local.

A descida da taxa de reconhecimento está muito provavelmente relacionada com a revolução dos guarda-chuvas, que ocorreu em Hong Kong. Acredito que a rejeição do Governo Chinês dos direitos políticos garantidos na Lei Básica e a brutalidade policial, em resposta aos manifestantes pacíficos, contribuíram para a destruição, junto da juventude de Macau, do reconhecimento da identidade chinesa.

Li Gang disse ainda que “os jovens e os estudantes estiveram na linha da frente dos protestos contra o regime das compensações financeiras, gerando um impacto profundo na sociedade”. Contrariamente à crença popular, ao invés dos funcionários públicos de topo gananciosos, o Governo chinês apontou o dedo aos jovens que foram para as ruas, declarando-os “culpados” na cadeia de eventos, que teve início no regime das compensações financeiras.

Enquanto pessoa que rejeita o nacionalismo e o comunitarismo, encorajo todos a reflectir nas identidades socialmente construídas e que nos foram impostas. Para a identidade chinesa, o promotor – o Governo chinês – é o que mais mata a identidade. Com acesso gratuito à Internet, a doutrinação não deveria funcionar eficazmente junto dos jovens.

Assim, pedia aos altos funcionários Chineses para irem para casa e resolverem os seus assuntos domésticos, que incluem, entre outras coisas, violações dos direitos humanos, antes de virem para Macau mostrar aos jovens como se devem identificar.

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2 thoughts on “Salvar a identidade chinesa numa sala de aulas? Tudo errado.

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