A criatividade e as piadas fáceis

[Seja como água]

Elisa Gao

No passado dia 14 de Julho um filme de cariz sexual filmado num provador da loja Uniqlo, em Sanlitun, na cidade de Pequim, foi publicado numa rede social tendo suscitado centenas de comentários humorísticos.

Alguns diziam coisas como:

“- Olá! Daqui fala o serviço ao consumidor da Uniqlo. Há alguma coisa que possamos fazer por si?

– Sim, gostaria de ter um provador com vista para o mar, por favor.”

Outros acrescentavam:

“- As pessoas que não te amam apenas também te experimentam na Uniqlo. Mas aquelas que te amam mesmo experimentam-te em lojas como Channel, Hermes, Dior, LV, Gucci…”

Estas piadas são fáceis de perceber, mas depois há também outras marcas que se aproveitam da situação para fazer campanhas. Vejamos alguns exemplos como a Zara que dizia “Estamos em saldos. Aproveite os nossos provadores para experimentar as suas roupas favoritas” ou a H&M com um slogan que bradava “Não vá à Uniqlo, os nossos provadores são maiores”.

A vida dos copywriters não é fácil. A verdade é que eles têm de, num curto espaço tempo, criar campanhas que sejam apelativas e que estejam sempre em cima do acontecimento.

Enquanto alguém escreve um comentário engraçado na Internet, os publicitários já têm de estar a pensar na próxima frase cheia de piada que vá encher o olho e ouvido do consumidor. É uma tarefa de fazer explodir o cérebro.

A publicidade electrónica nunca foi muito conhecida na China Continental especialmente aquela dirigida ao mercado externo. A maioria das pequenas e médias empresas ainda segue as formas tradicionais de fazer negócio e de marketing, apenas apresentando-se em feiras e fazendo contactos.

Tenho a certeza que muitas delas não se envolvem nas redes sociais para fazer publicidade.

Uma amiga que trabalha numa empresa de publicidade disse-me que o mercado publicitário na China é pequeno e que a maioria das companhias se concentra nas cidades grandes como Cantão, Shenzhen, Xangai e Pequim não expandindo os seus tentáculos para o exterior e muito menos para os eventuais consumidores online.

Se há milhões de utilizadores de redes sociais na China não faz sentido que estes sejam ignorados e que as empresas não beneficiem com isso. E mais… não faz sentido que a palavra “Uniqlo” tenha gerado tanto burburinho que no Continente até foi alvo de censura.

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