Vamos às compras!

[Seja como a água]

Elisa Gao

As pessoas adoram partilhar histórias, sejam elas de amor, de viagens ou do que quer que seja. Contar histórias é um bom catalisador de conversas.

Vejamos o caso da minha nova colega de casa, que se deu a conhecer com a energia de um furacão, demonstrando uma grande facilidade em conversar. Nas primeiras conversas começou logo a partilhar histórias sobre as suas ida às compras. Desde cedo ficou bem patente o gosto que tem pelas marcas de roupa caras da China.

Com a vinda para Macau, os pais concordaram que ela poderia começar a comprar maquilhagem e em, dois anos, já possui vários kits de blush, rouge e sombras de marcas como Dior, Benefit, Fancl, YSL, Bobbi Brown e por aí fora sabendo de cor os preços que se praticam em cada loja.

Por outro lado, tenho uma amiga que sempre que vai às compras ao Venetian escolhe sempre peças de roupa com preços abaixo das 400 patacas e foge das lojas de luxo, adquirindo só em marcas como a Forever 21, a Stradivarius ou a Zara.

Mas não é só! Ela já me confidenciou que, tendo a possibilidade de devolver as peças num prazo de 21 dias, compra, usa e depois vai lá devolver. Ela até se ri e diz que a empregada da loja até já a deve conhecer.

Enfrentamos então dois cenários na cultura de compras em Macau. Questiono-me como sobrevivem as lojas de luxo enfiadas nos casinos. Vazias e soturnas, parecem não ser afectadas pela queda das receitas do jogo.

De acordo com o relatório das vendas a retalho no primeiro trimestre de 2015, as lojas venderam 16,410 milhões de patacas, um montante que deixa entrever uma queda de 11 por cento em relação ao período homólogo do ano anterior.

Os estabelecimentos de ourivesaria, em especial os que vendem relógios e jóias, lucraram 3,7 milhões de patacas, ao passo que as lojas de artigos em pele arrecadaram 1,5 milhões de patacas.

Ir às compras pode ser um hábito comum, mas as pessoas que o fazem são muito diferentes e têm propósitos diferenciados. As minhas amigas que vivem no Continente, ensinaram-me os seus propósitos nestas questões do consumismo: claro que compram roupas e malas na página electrónica de vendas Taobao, mas têm de ter sempre no roupeiro, pelo menos, duas malas que custem 2 mil yuans para se sentirem integradas perante outras colegas com mais poder económico.

Nem toda a gente pode comprar como desejaria e penso nisso quando olho para o segurança do meu prédio.

Trabalha todos os dias – praticamente o dia inteiro – com apenas duas a três folgas por mês. Se lhe perguntarem se almoça ou janta fora, nega. Se lhe perguntarem se vai às compras, a resposta também é negativa.

E enquanto passam alunos da residência com sacos de compras na mão, o segurança diz que “comprar não é para todos”. O que recebe é para alimentar a família no Nepal.

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