Diga-me quanto ganha…

Catarina Mesquita

…dir-lhe-ei quem é. Onde come. O que veste. Onde se diverte. O que consegue fazer com o número de patacas que transbordam a carteira ou com aquelas que nem dão para chegar ao final do mês.

Se me disser que é um trabalhador de limpeza poderei fazer contas à sua vida, em Macau, tendo por base um salário mínimo de 6240 patacas.

Mas… espere! A conta não é assim tão simples. Terá de me dizer se trabalha na administração de um “prédio urbano destinado à habitação” ou se é noutra espécie de prédio porque ao que parece a proposta de lei que viu ter luz verde na passada sexta-feira é feita de excepções.

A verdade é que é e sempre foi difícil discutir racionalmente, seja em que país for, o salário mínimo.

O povo pede sempre o seu aumento que justamente lhe deve ser atribuído, mas para quem faz as contas há sempre a dificuldade de não saber o que é viver com aquele valor.

É o povo, os trabalhadores não-residentes, a mão-de-obra não qualificada a choramingar por mais. Uma grande canseira que só desconcerta a Concertação Social.

Em termos absolutos o salário mínimo da proposta de lei é obviamente baixo para viver num lugar em que os preços das casas são o que são e onde meia dúzia de coisas no supermercado resumem a uma conta já na casa dos três dígitos a resvalar nos quatro.

Quando deixei Portugal era comum ouvir o trocadilho que “sobrava mais mês que ordenado”. E para alguns o mesmo acontece em Macau.

Independentemente do contexto que trazem por trás os trabalhadores contemplados com a proposta de lei, de o país de origem ser mais pobre e onde 6 240 patacas são uma fortuna, o salário mínimo proposto é baixo.

Já o secretário para a Economia e Finanças diz que o valor dá “maiores garantias de emprego” e que um aumento traria dificuldades.

Que dificuldades?

O passo da implementação da lei do salário mínimo (com as suas muitas excepções) é um passo que em tudo me parece positivo, mas há quem fique a ganhar e quem fique a perder.

Perdem aqueles que não foram contemplados na mesa da Concertação Social e as empresas de gestão de condomínios entram em histerismos.

A medida vai abranger 4650 pessoas, ficando cerca de 13.200 pessoas com um salário inferior ao mínimo agora apresentado.

Porém, o Governo reforça que quer ver, em 2018, o salário mínimo chegar a todos fazendo esperar a população três anos.

Teremos de aguardar três anos na esperança de que estes passem a correr tão rápido como o tempo que alguns salários (mínimos) se demoram a gastar.

Diga-me então, caro trabalhador, quanto ganha e eu dir-lhe-ei quanto tempo terá de se paciente até que o seu caso seja “concertado”.

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