Agora os golfinhos

[Tapau no Bufê]

Rodrigo de Matos

Apenas uma semana depois de ter aqui referido o regresso do Japão à chacina massiva de baleias no Antárctico, eis que agora são os golfinhos que parece que se estão a afastar destas águas com a construção da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Um grupo de ambientalistas da antiga colónia britânica, que dedica o seu tempo ao estudo e à protecção dos golfinhos (há trabalhos piores), veio apresentar números que mostram que aqueles mamíferos (os golfinhos, não os biólogos) estão a migrar para outras paragens, assustados com o barulho e o movimento dos barcos usados nas obras da ponte.

E eu pergunto: e depois? Quem está mal muda-se. Quem me dera poder mudar de habitat cada vez que um vizinho meu resolve construir uma gaiola no seu apartamento, o que no meu prédio acontece ao ritmo de uma ou duas novas obras por mês. Eu é que ando aí pela rua a carregar as minhas olheiras de não conseguir dormir com as marteladas. Não são os golfinhos, que toda a gente quer proteger. Protejam-me antes a mim!

Imaginem agora pararmos de construir a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, essa obra tão importante, que vem resolver de uma vez por todas o flagelo das pessoas que enjoam a andar de ferryboat, só porque uns cetáceos cor-de-rosa retrógrados não gostam do progresso. Agora parávamos todas as obras de construção de infra-estruturas no Delta do Rio das Pérolas porque uns quantos animais egoístas se estão a queixar do ruído. Tenham paciência! Se dependesse desses bichinhos individualistas, nós bem podíamos voltar a viver nas cavernas.

Já não posso com essa conversa dos ambientalistas a quererem salvar tudo e mais alguma coisa. Porquê? Para quê? Mais de 90 por cento de todas as espécies que alguma vez existiram no planeta, desde que por aqui apareceu a vida, estão extintas. Na maior parte dos casos, nós, humanos, nem sequer existíamos ainda. Vêm falar em espécies em vias de extinção!? Isso é o que a natureza faz. É parte do ajuste, do equilíbrio dos ecossistemas. As extinções de espécies não são mais do que a natureza a funcionar. Nós, como parte da natureza, damos uma ajudinha a acelerar o processo. Só isso…

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