O “Fundo” está a afundar-se  

PODE IR À SUA VIDA

Sandra Lobo Pimentel

O caso polémico que envolveu o Fundo das Indústrias Culturais no mês passado, quando um vogal foi afastado por suspeitas de envolvimento na atribuição de um subsídio a um familiar, volta agora a pairar sobre o mal explicado atraso na divulgação dos projectos que serão financiados.

Em Março, numa recepção oferecida aos jornalistas, Leong Hen Teng, presidente do organismo, juntamente com outros membros do conselho de administração, divulgaram as primeiras informações, anunciando o número de projectos a financiar, no total, 86, bem como o montante total a entregar, que não atingia os 200 milhões de patacas disponibilizados pelo Governo.

Ficara prometido para Abril a divulgação dos nomes dos artistas e projectos a financiar, mas de lá para cá, nada mais foi anunciado.

Depois da polémica do mês passado que envolveu Chao Son U, que tão prontamente foi ilibado pelo Comissariado Contra a Corrupção, este Fundo parece continuar a afundar-se, agora com a ausência de explicações para justificar o atraso na divulgação dos nomes dos projectos, quando estes já estavam escolhidos.

Afinal, qual é o problema?

Alexis Tam não negou que o afastamento do vogal do conselho de administração pode ter influenciado. Leong Heng Teng fala em necessidades burocráticas maiores do que as das subvenções normais (seja lá isso o que quer dizer), mas, na verdade, a mim não me convence nenhuma das versões.

Senão vejamos e recuperemos os factos: em Março, o Fundo das Indústrias Culturais convidou a imprensa para divulgar os números envolvidos. Em Março já havia o total de projectos a financiar, o montante total a despender, o número de postos de trabalho a ser gerados pelas iniciativas. Só faltavam os nomes e, claro, o dinheiro nas contas dos felizardos. Parece um avanço considerável para agora se falar em burocracia…

Mas se foi o afastamento de Chao Son U a justificar esta demora, qual o motivo? Para não conhecermos o projecto do familiar do ex-vogal? Ou o Fundo voltou atrás com esse ou algum outro projecto que já estaria aprovado? Ou estará o Comissariado Contra a Corrupção a investigar um pouco mais?

Se depois da apressada investigação ao caso de Chao Son U, já se justificava que a situação fosse melhor esclarecida junto da opinião pública, agora com mais esta interrogação, o Fundo das Indústrias Culturais parece começar a correr o sério risco de sair descredibilizado.

A confusão parece ser demasiada e, não podemos esquecer, estamos a falar de uns quantos milhões a aplicar num sector que o Governo quer apostar e ajudar a desenvolver. Por enquanto, é caso para dizer que começou com o pé errado.

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