A pressa é inimiga da perfeição  

[PODE IR À SUA VIDA]

Sandra Lobo Pimentel

Não sei se é inédito mas, seguramente, assistiu-se a um acontecimento raro, na passada semana, quando sete funcionários do Fundo das Indústrias Culturais se apresentaram numa conferência de imprensa para relatarem as pressões de que dizem ter sido alvo por parte de um superior.

A coragem de virem a terreiro, dando a cara, para expor à opinião pública o que se havia passado, pode e deve ser aplaudida. Quem sabe, se outros seguirem o exemplo dado por estes funcionários, não teremos outros casos em que, alegadamente, as conclusões das investigações não condizem com as versões de quem assistiu in loco.

Estou certa que este caso não se ficará por aqui. O ex-vogal foi ilibado pelo Comissariado Contra a Corrupção, mas como este jornal publicou, há ligações entre investigador e investigado que não podem, nem devem, ser diminuídas.

E não é pelo facto de se tratar de um ex-assessor do Comissariado, já que, naturalmente, caberá ao CCAC investigar estes casos e estas situações podem repetir-se, com tanto entra e sai em funções públicas. O que acaba por ser surpreendente, é o facto de o CCAC ter sido tão célere nas investigações que levou a cabo.

Ora aqui está mais um contorno, não sei se inédito, mas pelo menos invulgar. O CCAC demorou cinco dias úteis a revelar as conclusões da investigação, e, segundo aquilo que foi relatado pelos funcionários, emitiu um comunicado, disponibilizado em português na plataforma de comunicação oficial do Governo, hora e meia depois do último inquirido ter sido escutado em relação ao caso.

Tenhamos todos a faculdade de questionar os contornos deste caso, que começou por ser alvo de um processo de averiguações por parte do gabinete do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura que, achou por bem, encaminhar para o CCAC para a descoberta da verdade.

Mas até nas palavras, o organismo liderado por André Cheong parece querer dividir o resultado da investigação em tempo recorde, referindo em comunicado, que as conclusões foram as mesmas às quais chegou o gabinete de Alexis Tam. “O CCAC concorda com as conclusões que resultaram do processo de averiguações levado a cabo pelo GSASC (Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura)”, para que aqui fique transcrito.

Seja como for, é bom que este caso não fique por aqui. As suspeitas são, muitas vezes, infundadas. Podem resultar de um sem número de factores. Mas convém que o processo seja clarificado. Os temores de corrupção e de tráfico de influências minam o funcionamento da máquina administrativa e colocam em causa a confiança na idoneidade do Estado como pessoa de bem. Aqui em Macau e em qualquer outra parte do mundo.

O CCAC não pode ser aclamado como “justiceiro” no caso Ao Man Long e depois deixar pender sobre si esta sombra de dúvida. E como se costuma dizer, a pressa é inimiga da perfeição…

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