(In)Conveniências do 1º de Maio

[PODE IR À SUA VIDA]

Sandra Lobo Pimentel

“O dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador, coincide com a data de abertura da época balnear em Macau”. Quem o escreve é o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Foi, por isso, um fim-de-semana prolongado de muita festa, agitação e comemorações. Conveniente…

Para assinalar a data, a abertura da época balnear, claro, o IACM organizou actividades na Praia de Hac-Sá, em conjunto com o Instituto Cultural, Instituto do Desporto, Direcção dos Serviços dos Assuntos Marítimos e de Água e diversas associações do território, com o objectivo de “permitir a todos aqueles que levam uma vida urbana muito ocupada participarem, num dia de feriado e antes da chegada das férias do Verão, em actividades recreativas e aquáticas ao ar livre, promovendo, assim, o seu bem-estar físico e mental, bem como a relação familiar”.

O Governo proporcionou então as ditas comemorações para a abertura da época balnear. Pelo que foi dito por alguns moradores da nem sempre pacata Vila de Coloane, foi o pandemónio nos transportes, e os residentes terão aderido em grande número aos eventos. “Foi bonita a festa, pá”, mas não para todos… Muito inconveniente…

Mais comemorações do 1º de Maio ficaram a cargo de outros grupos. O primeiro, como não poderia deixar de ser, o dos turistas, uma presença incontornável na vida de qualquer residente transeunte nesta cidade.

Ora, na sexta-feira, foram nada mais nada menos do que 400 mil entradas nesta terra que tem o dom de ser maior do que ela própria em quase tudo.

Vieram e continuaram a vir, fim-de-semana fora, contribuindo para a agitação e conveniência, claro está, do funcionamento, desde já oleado, da cidade. Certamente, inconveniente…

E por fim, as comemorações próprias do dia do trabalhador, ou seja, as habituais manifestações. Números oficiais colocam 1800 pessoas na rua, e os destaques começaram a chegar logo no início. Das sete manifestações organizadas que partiram do Jardim do Iao Hon, na zona norte, participantes de duas delas envolveram-se em escaramuças por causa da utilização do palco.

Segundo foi relatado pela imprensa, os líderes das duas associações caíram, valendo a assistência dos bombeiros. Conveniente, portanto…

Na rua não esteve a Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), diz Pereira Coutinho, citado pela Rádio Macau, porque o Governo está em funções há apenas quatro meses e é precisar “dar tempo” para responder às reivindicações. Mas nos anos anteriores, a mesma associação “ficou em casa”, com outros motivos a justificá-lo. Conveniente…

Para o ano há mais.

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