Globalidades aquecimentícias  

Tapau no bufê

Rodrigo de Matos

Já aqui falei, numa edição anterior desta crónica, no fenómeno do arrefecimento casinal, com as quedas de receitas dos casinos que vão batendo recordes todos os meses. Momento agora para falar de aquecimento global, porque a seguir aos casinos, não há nada mais importante do que a sobrevivência do planeta… Ou melhor, dos seres vivos que o habitam, porque ao planeta em si, pouca diferença faz se os mares estão cheios de golfinhos ou de sacos de plástico. Como dizia o grande George Carlin, “o planeta está bem e não vai a lado nenhum, nós é que vamos”.

Muito se tem dito acerca do aumento do nível dos oceanos (que não tem nada a ver com qualidade, mas com volume), mas o derretimento dos pólos tem sido apontado como a única explicação para a subida das águas. Mas há outras. A subida das temperaturas em si é uma delas. Como toda a gente sabe, o calor dilata os corpos (mesmo o de bombeiros), pelo que, aumentando a temperatura da água ela vai certamente aumentar de volume. Isto tem sido ao longo dos anos contrabalançado com a actividade ecologicamente consciente (e poucas vezes reconhecida) de países como o Japão ou a Noruega que, ao depredarem baleias sem contemplações, têm retirado muito do volume dos oceanos (não estão bem a ver o espaço que um cetáceo daqueles ocupa). Mesmo assim, as águas continuam a subir e por culpa de quem? Macau.

É verdade. Pode parecer absurdo, mas experimentem fazer uma experiência: peguem num copo de água e vão deitando areia lá para dentro. A dada altura, o copo vai transbordar. Ora, esse é o efeito que Macau está a conseguir criar no mundo com os seus sucessivos aterros para aumentar o território. Isto é uma teoria que tem recolhido crescente apoio da comunidade de cientistas imaginários que estou a inventar para suportar as afirmações deste artigo.

Se os oceanos continuarem a subir a este ritmo, o Kiribati, por exemplo, irá ficar completamente submerso dentro de poucas dezenas de anos. Felizmente para os kiribatianos, por essa altura, o território de Macau já vai estar ali ao lado e eles poderão chegar à nossa costa a remar, como centenas de chineses já fazem há vários anos. Convém é que não se metam mais de 900 pessoas na mesma embarcação, o que não tem dado bons resultados noutras paragens. Uma vez em Macau, os 94 mil habitantes do Kiribati podem ser facilmente absorvidos pela indústria da construção, que por essa altura deverá estar bem necessitada de mão-de-obra escrava… digo, estrangeira.

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