Quando se é idiota…  

Água mole em pedra dura

Catarina Mesquita

Chegada a Macau a primeira sensação que tive foi que esta era, sem dúvida, uma terra fértil. Grandes empreendimentos, aquela que já foi a maior torre, o maior casino onde acontece o maior torneio de bacará e uma lista imensa de outros fenómenos em que se estica a corda ao máximo para se ser o maior em qualquer coisa.

Com os bolsos a rebentar pelas costuras, Macau tinha o perfil que dava uma esperança renovada aos projectos que tinham sido obrigados a ficar fechados na gaveta, por falta de verbas, naquele Portugal que se foi afundando.

Porém, é desse mesmo pobre Portugal que saem discursos recheados de palavras como “inovação”, “criatividade”, “empreendedorismo”, “startups” e “incubadoras” e onde os jovens ainda vivem com a vontade de fazer mais mesmo que estejam de mãos e pés atados.

Com o sangue na guelra de quem acabou de chegar a um novo lugar, cada esquina de Macau pareceu um potencial lugar para um novo negócio. E agora? Como tirar as ideias do papel e torná-las realidade?

Abrir uma empresa ou organização na RAEM consegue ser mais fácil que preencher formulários e submetê-los na famosa página electrónica portuguesa “Empresa na Hora”.

Preenchem-se papéis, pagam-se os honorários aos simpáticos funcionários do IPIM e “plim” somos magicamente empresários.

Mas a questão é: Empresários em quê? Termos ideias que ainda não foram vistas em Macau é levar com respostas como “Ah! Desculpe! Mas se isso ainda não existe cá é porque não é fundamental!” ou “Pode tentar submeter a um fundo do Governo, mas como não é residente permanente a probabilidade é que não seja aprovado”.

Pela tendência, uma loja de sopa de fitas ou de bolachas de amêndoa nunca são demais – não que eu tenha alguma coisa contra esse tipo de negócio – mas a resistência à novidade em Macau é esmagadora e desmotivante.

Há pouco tempo, o designer James Chu dizia que Macau é bastante criativa nas pequenas coisas e que foi buscar à sua costela portuguesa o desenrascanço para solucionar criativa e rapidamente os problemas de menor dimensão. Porém, as repostas aos grandes problemas são pouco originais.

Fala-se da diversificação económica, das indústrias criativas, de novas ideias que nos salvem do demónio que são os casinos mas quando um perfeito desconhecido da comunidade tem uma nova ideia é visto como um “idiota”. Não daqueles que têm muitas ideias, mas daqueles que parecem estar a ter um ataque de loucura.

Em que é que ficamos? Devemos ser criativos ou não? Afinal o que é a criatividade?

Não sei se concordo com o outro que diz que o mundo é dos espertos mas defendo que neste pedaço de mundo que é Macau, o mundo é dos pouco inovadores que arrumam a um canto os “idiotas” que têm novas ideias.

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