O discurso do costume  

[PODE IR À SUA VIDA]

Sandra Lobo Pimentel

O discurso dos deputados relativamente aos trabalhadores não-residentes tem preocupado muita gente que, aqui ou ali, vai expressando opinião no sentido de repudiar as ideias estapafúrdias de transportes diferenciados e outras que tais que vão sendo veiculadas na Assembleia Legislativa.

Desta feita está em causa o regime do ensino superior e a possibilidade de o Governo vir a garantir o financiamento das instituições contemplando não só os residentes do território.

A Comissão da Assembleia Legislativa que está a discutir o diploma quer que o Governo esclareça. O deputado Chan Chak Mo, que preside à Comissão, entende que é necessário saber se os trabalhadores não-residentes estão incluídos, preocupado que está com o erário público.

Si Ka Lon disse ao Hoje Macau que as despesas feitas pelo Executivo com os residentes devem ser “diferentes” das que são feitas com os restantes, uma opinião que vai no sentido de muitas outras que vamos ouvindo de outros, entre os quais, as deputadas Song Pek Kei ou Ella Lei.

Esta última, também vice-presidente da Associação Geral dos Operários de Macau, traz amiúde nos seus discursos a “problemática” dos não-residentes. Eu chamo-lhe, já, uma espécie de obsessão, dada a frequência com que fala do assunto, e, quase sempre, querendo forçar este diferenciar de tratamento por parte das entidades públicas.

Já muito se falou, como disse. A crítica parte daqueles que têm presente os valores do humanismo e que, com certeza, não reconhecem conformidade nessa diferença de tratamento, tão somente por não ser justo, já que falamos de pessoas que contribuem com o seu trabalho para o crescimento e desenvolvimento da RAEM.

Apesar dos constantes argumentos, onde realmente se discute o futuro das regras que nos vão presidir de amanhã em diante, a Assembleia Legislativa, os argumentos parecem ser recorrentemente outros. Diria até, insistentemente outros.

Leva-me a pensar que, sendo alguns dos deputados os escolhidos da população ou das associações do território, se é, de facto, este o pensamento da maioria dos residentes permanentes de Macau. É assim que pensam?

Claro que há questões por resolver devido ao crescente número de trabalhadores importados. É natural que as garantias que devem ser dadas aos residentes permanentes podem ter uma ponderação relativamente aos que são apelidados de “não-residentes” (ainda que, na prática, muitos não o sejam).

Mas isso decorre da factura que a população está a pagar pelo crescimento da cidade e que não pode ser compensada apenas com um cheque todos os anos. Não decorre do simples facto de se tratarem de “estrangeiros” e por isso o Governo não deve gastar dinheiro com eles.

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