Velhos são os trapos

Água mole em pedra dura

Catarina Mesquita

Há poucos dias deparei-me com um artigo que, com um tom alarmante, noticiava que a mão-de-obra na China está a decrescer significativamente.

“Uma crise de mão-de-obra na China? Significará isto que deixaremos um dia de ter camisolas, ténis, tudo e mais um par de botas a dizer Made in China?”, questionei-me num rasgo absolutamente consumista.

A questão que se impõe não será deixar de ter coisas a baixo custo produzidas aos milhões pela China, mas antes o facto de o grande fornecedor do mundo estar a atravessar um sério problema quando o número de pensionistas está a aumentar e a taxa de natalidade não cresce.

No mesmo artigo Zheng Bingweng, director do Centro Mundial de Estudos Previdenciais, explicava que adiar a reforma em um ano seria uma medida que resultaria no aumento de quatro mil milhões de renminbis (cerca de 5,148 milhões de patacas) no fundo de segurança social.

Todavia, apesar do adiamento da reforma de milhões de cidadãos chineses parecer ser uma forma eficaz de poupar os cofres do Estado, o problema da mão-de-obra não se resolverá enquanto a natalidade for controlada com a política do filho único.

É fundamental que na grande China se encorajem os pais a terem mais crianças de modo a que estas sejam adultos daqui a cerca de 18, 20, anos e estejam aptos a ingressar no mundo do trabalho ao invés de se pedir à população trabalhadora que aguente mais um aninho.

Em Macau, a população com menos de 15 anos rondava no final de 2014 os 11,4 por cento enquanto os cidadãos com mais de 65 anos ocupavam uma fatia de 8,4 por cento.

Num território absolutamente claustrofóbico como Macau a taxa de natalidade rondava até ao ano transacto os 11 por cento, não sendo um problema para a região. Porém, no que toca aos pensionistas a saga é outra.

Chui Sai On anunciou na semana passada, no âmbito das Linhas de Acção Governativa, um estudo para o aumento do subsídio para idosos para 7500 patacas, numa “política de longo prazo” na qual afirma que virá a “beneficiar a população mais velha”. Veremos finalmente os idosos da região serem recompensados?

Em qualquer país tudo o que se tem foi construído pelo trabalho dos nossos antecessores. Não deveriam eles merecer todo o respeito e atenção? Não adiemos aqui, no Continente ou em qualquer outro lugar, dar-lhes o merecido descanso e a segurança que precisam depois de tantos anos a arregaçar as mangas e a fazer a máquina mexer.

Por vezes cruzo-me na rua com idosos – que me parecem saídos de um filme e parecem ter já completado 100 anos de idade – carregando caixas, ocupados e, aparentemente ou não, com mais força do que eu. Afinal o ditado – também ele já idoso – diz e com razão que “velhos são os trapos”. Contudo, não nos deveríamos aproveitar dessa genica que é característica dos idosos como solução para uma poupança nos cofres aos quais nem todos os jovens e adultos têm acesso.

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