Está tudo errado

[Tapau no bufê]

Rodrigo de Matos

O Chefe do Executivo já apresentou as Lengalengas de Aborrecimentação Governativa (LAG) para 2015 e o Tapau no bufê, a crónica de análise sociopolítica preferida dos leitores do PONTO FINAL, apresenta aqui o balanço: está tudo errado. Ou quase tudo. Ainda fomos capazes de concordar com umas quatro vírgulas e dois acentos agudos. De resto, se fôssemos o professor de Chui Sai On, era chumbo na certa… Pensando melhor, se calhava passava, à rasca, mas era só para não ter de repetir o ano (credo!).

Então, vá. Para não dizerem que isto é só crítica gratuita, vamos mandar a factura… quer dizer, vamos passar a explicar porque é que as LAG estão todas mal concebidas.

“[…] Iremos, com um espírito reformador, acumular experiências, encontrar soluções para questões […]” foi a medida mais concreta que conseguimos isolar do discurso do Chefe do Executivo. Podem imaginar o grau de abstracção metafísica do resto das propostas. Ora, comecemos pelo “espírito reformador”. Na verdade, aquilo de que Macau precisava era de um reformador de carne e osso, um indivíduo que fizesse alguma coisa palpável para melhorar a nossa vida. Não é claro na proposta exactamente como é que o Governo irá invocar esse espírito, se irá mandar trazer o professor Karamba ou um outro pai-de-santo da Guiné, mas isso é uma hipótese que pode agradar aos seguidores de seitas espíritas e gente que acredita nessas fantochadas. Para um ateu como eu, não chega. É igual àqueles comprimidos para a sede que se tomam com dois copos de água.

Adiante. “Acumular experiências”. Se há uma coisa de que ninguém precisa aqui é da continuação deste acumular de experiências. Todas elas más. Melhor do que isso seria apostar numa boa experiência. Bastava uma. Nem era preciso acumular. Ou, melhor ainda: tomava-se logo uma medida boa definitiva, sem estar a usar o povo como cobaia em experiências de governação frankensteiniana.

Por último, “encontrar soluções para questões”. Isto não chega. Porque muitas vezes, ou quase sempre, as soluções encontradas são questionáveis e chegamos a duvidar de que o Executivo seja mesmo capaz de encontrar soluções para questões mais complicadas. Comprovei no outro dia empiricamente que nem para questões simples, quanto mais para as outras. O meu sobrinho pediu-me ajuda para um trabalho que trouxe da escola em que a professora perguntava: “O João comprou seis sacos de laranjas, cada saco com 12 laranjas. Quantas laranjas comprou o João no total?”. Como no meu tempo esses problemas eram com batatas, não fui capaz de responder, mas resolvi pedir ajuda ao Governo. Secretaria para a Agricultura em Macau não há, então, achei que deveria ligar para a da Economia e Finanças, uma vez que a questão envolvia uma transacção financeira. Disseram-me para enviar a questão por fax e assim fiz. Estou há mais de um mês à espera da resposta.

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