Limites à indiferença

Sandra Lobo Pimentel

Vi há dias um vídeo que me impressionou, pela negativa, mostrando-me que os limites à indiferença estão bem acima daquilo que poderia imaginar. Apesar de serem recorrentes as ficções levadas a cabo em praça pública na tentativa de exposição da natureza de cada um, acredito que essa consciência não é mais forte que um impulso que se quereria solidário.

Nas ruas de Nova Iorque, um jovem fingindo ser um sem-abrigo, pedia ajuda aos transeuntes, que passavam. Nenhum parou. Alguns olharam. Agravante é tudo ter acontecido com o rapaz pouco vestido, tentando tapar-se com um saco de plástico, num dia em que se registavam temperaturas negativas na cidade.

Está tudo filmado. Circula pela internet o vídeo gravado pelos irmãos do jovem que pretendiam documentar a experiência.

Tantas e tantas pessoas passaram e nenhuma parou, mesmo vendo que o rapaz tremia de frio e pedia ajuda. Algumas olharam mas nada fizeram, debaixo dos seus grossos casacos, cachecóis e gorros. Assim mesmo, a olhar para um jovem a tremer de frio no meio da rua. Durante duas horas nada aconteceu.

Até que se assiste ao único impulso solidário: um outro sem-abrigo, este real, é quem se aproxima do rapaz, pergunta-lhe se ele tem família e oferece-lhe o seu próprio casaco para se aquecer.

De imediato, os irmãos, que assistiam à cena, se aproximaram do local e explicaram a situação.

O vídeo tem cerca de seis minutos e não compreenderia se houvesse alguém que não se emocionasse e desesperasse com o que ali se pode assistir. Como é que alguém consegue ignorar um rapaz vestido apenas com uma t-shirt e um saco de plástico no meio da rua com temperaturas negativas? Estará esta sociedade tão cega, tão ‘umbiguista’ que ignora o sofrimento alheio desta forma?

Transeuntes com sacos de compras, das lojas de marca conhecidas mundialmente, passam e voltam a passar, e nada fazem. Os que nem olharam, será que não viram? Isso também é preocupante.

São muitos os vídeos que têm colocado as pessoas, todos nós, em jeito de tubo de ensaio para provar em que estado a sociedade se encontra relativamente a alguns aspectos básicos de solidariedade e ajuda ao próximo.

E estes têm provado que a indiferença é a pedra de toque. Recordo um vídeo de uma agressão ficcionada dentro de um elevador sem que alguém presente tivesse agido, à excepção de uma mulher, depois de muitas pessoas terem assistido ao sucedido.

Há exemplos de solidariedade, de vidas dedicadas a ajudar os outros. Mas são poucos quando comparados com a indiferença da maioria. Este vídeo é só mais uma prova disso.

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