Qual será o futuro do Ano Novo Chinês?

[Com os meus botões]

 

Lou Shuo

 

Hoje é a véspera do Ano Lunar Chinês. Ontem, o meu pai chegou em casa e lembrou-me que eu deveria colocar dinheiro, num valor que envolvesse o número “oito”, na carteira, significando a expectativa de fazer fortuna no próximo ano. A minha mãe, por sua vez, disse-me que eu não poderia esquecer-me de usar roupa interior de cor vermelha, pois o meu signo no horóscopo chinês é mesmo a cabra.

Sinceramente, em vez de chamar estes inumeráveis costumes do Ano Novo Chinês de “tradições”, prefiro tratá-los apenas como rotinas e obrigações. As “rotinas” – como comer dumplings antes da contagem regressiva, assistir à Gala de Ano Novo da CCTV, também conhecida como Gala do Festival da Primavera, entre muitos outros -, encaro-as como se fossem os pratos favoritos no menu desse feriado, pedidos incansáveis das famílias chinesas repetidos todos os anos.

O Ano Novo Chinês é assim um símbolo da cultura tradicional chinesa, celebrado e endeusado pelo povo chinês ao longo de mais de quatro mil anos. Entretanto, no século XXI, para os jovens do país, o tal feriado já não parece ser tão atraente…

Segundo o jornal Beijing News, os jovens urbanos em geral não estão animados com a chegada do feriado, como dizem os brasileiros, muito deles “não estão nem aí prá isso”. Entrevistas realizadas nos últimos dias aos jovens nos lugares mais frequentados de Pequim revelaram que 80 por cento mostram “pouco interesse” no Ano Novo Chinês.

São diversas as razões do desinteresse juvenil no feriado. Entre elas: a falta de conhecimento sobre os costumes da comemoração e as pressões da família, com perguntas “insistentes” sobre o estudo, o trabalho e o relacionamentos amorosos, as quais ocupam os jantares familiares.

Lembro-me agora da mensagem que o Presidente Xi Jinping deixou aos alunos durante a sua visita à Universidade de Macau, em Dezembro do ano passado. O líder do país elogiava então a importância dos elementos da cultura tradicional chinesa, os quais podem ajudar a estabelecer uma sociedade, o que deve ser valorizado pelos jovens.

O que o Presidente disse, neste momento, parece-me um pouco irreal, difícil de se concretizar na actualidade. É tão fácil definir a relevância dessas tradições chinesas na teoria, e, no entanto, qual a sua importância na prática?

A forma de tornar a herança cultural mais aceitável e viável para a nova geração é um problema sério, o qual se manifesta, por exemplo, através das reacções dos jovens perante o Ano Novo Chinês. E tenho dúvidas sobre qual será o futuro da cultura tradicional chinesa, com os jovens do país a perder o seu interesse por ela. E, por fim, qual será o futuro da tradição do Ano Novo Chinês?

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