A culpa não é dos pandas

Sandra Lobo Pimentel

Uma sondagem realizada pelo jornal All About Macau concluiu que a população não está interessada na oferta de um novo casal de pandas que o presidente Xi Jinping anunciou aquando da visita oficial do mês passado.

Quando cheguei a Macau, demorei algum tempo até fazer a visita aos inquilinos mais famosos da terra, segundo ia ouvindo dizer. Só depois de ter a experiência de procurar casa nesta cidade, e de me confrontar com o absurdo que é o mercado local do imobiliário, é que lá fui em viagem até Seac Pai Van para prestar as minhas homenagens ao “Hoi Hoi” e à “Sam Sam”.

Gostei especialmente do sistema montado que borrifa água, todo aquele verde magnífico e o ócio em que viviam as duas criaturas, que, é preciso dizê-lo, achei amorosas.

De facto, não há como não pensar nas condições que foram oferecidas ao casal de pandas no grande pavilhão construído no parque à entrada de Coloane. E, por comparação, e já com a experiência adquirida, pensar como é difícil encontrar um espaço condigno a um preço justo em Macau.

Mas, no caso dos pandas, acredito que sendo uma oferta do Governo central, não podia ser de outra maneira. As condições do pavilhão são de facto fenomenais. E entendo as críticas que são feitas, mas, deixem-me dizer, que a culpa não é dos pandas.

De acordo com o inquérito, a grande preocupação dos que não estão a favor ou dos que estão mesmo contra a vinda do casal de pandas é o facto, quase certo, de que o actual pavilhão onde habita agora, sozinho, “Hoi Hoi”, teria que ser aumentado. A estrutura já custou 90 milhões de patacas, um número que parece ter chocado muita gente.

Será que as perdas das operadoras de jogo motivam esta animosidade para com o pobre casal de pandas? Apesar da queda nas receitas do jogo, ainda é de receitas que estamos a falar. Nomeadamente, de 23.285 milhões de patacas no último mês do ano que findou.

Há, com certeza, muitas despesas efectuadas pelo Executivo que são injustificadas ou, vá lá, pelo menos, executadas em excesso. Será que é caso para os pandas serem rejeitados?

Sempre me ensinaram que não se recusa um presente e, neste caso em particular, muito menos vindo do presidente da “Mãe Pátria”. A oferta até foi feita num período de festa, de comemorações, na idade bonita de 15 anos da RAEM.

A população de Macau pode e deve ter sentido crítico para o que se vai passando. Existem problemas na região que o dinheiro poderia resolver e que ninguém vê serem resolvidos. A subsídio-dependência também é demasiado evidente, mas, mais uma vez, a culpa é de todos menos dos pandas…

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