Mais amor, por favor

Lou Shuo

Não estou a exagerar. Mas não me consigo recordar desde quando, quase todas, todas as conversas do dia-a-dia com as minhas amigas em Macau, sejam chinesas, sejam estrangeiras, começaram a ser envolvidas com um único tema cliché: a procura do amor.

Em muitos lugares públicos das metrópoles no Brasil, encontram-se posters nos quais que estão escritas as palavras “Mais amor por favor”. Estão nas paredes dos edifícios, nas paragens de autocarros, etc. A intenção de tal slogan, criado em 2009, é simples: alertar as pessoas sobre a relevância de amar.

É um pouco difícil perceber que, no caso da América do Sul, naquela terra do samba e do carnaval, onde até o ar cheira a paixão e a sensação, as pessoas sentem falta de amor e de atenção. Mas em Macau, esta cidade oriental pequenina, talvez a “queixa” de falta de amor seja mais fácil de entender.

Macau, enfim, para muitas pessoas que habitam aqui é um ponto de passagem. Este é um dos sítios com maior densidade populacional do mundo e, ao mesmo tempo, possui mais de 150 mil de trabalhadores não residentes. A necessidade de mão-de-obra em quase todos os sectores desta cidade que ainda está a crescer economicamente é uma fonte eterna de atracção para as pessoas de fora.

Assim, um monte de trabalhadores com experiências de vida diversificadas vieram e pararam nesse território, para a construção de uma nova vida. Admito que a conquista de um salário alto e de um estatuto social elevado nessa cidade parece algo muito fácil para as pessoas que têm uma boa educação, ou com domínio de bilinguismo. No entanto, como está a situação da aquisição de amor nesta cidade?

Os problemas das minhas amigas relativamente ao amor revelam a dificuldade pressentida na questão em cima. Provavelmente, quando as necessidades materiais das pessoas são mais facilmente satisfeitas, a vontade de distribuir amor e carinho a outrem torna-se mais rara. As pessoas simplesmente ignoram o valor de amar.

A resposta a tal questão também não surge nada positiva se consultarmos os resultados do mais recente índice da felicidade de Macau, que nos mostram que mais pessoas casadas na região estão infelizes em comparação com os solteiros – ao contrário da situação em Hong Kong e em muitos lugares do mundo.

Como o cantor de hip-hop Criolo canta, “Não existe amor em SP”. Actualmente, em Macau, a existência de tal factor também parece estar esquecida pelas pessoas com o passar do tempo e com o desenvolvimento urbano. O amor nesta cidade é como uma superstição para a maioria.

O sector do jogo é a base da economia desta cidade, mas, acredito que as emoções e os sentimentos das pessoas de Macau não têm nada que ver com a simplicidade de uma aposta na mesa do jogo. Afinal, peço mais amor em Macau, por favor.

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