Um político fez uma promessa

Maria Caetano

Salvo erro e memória melhor, aconteceu ontem no Palácio do Governo algo de inaudito: alguém assumiu um compromisso. E isto é notícia hoje, mais do que o novo elenco do Governo – que, de resto, já todos conhecíamos por portas, travessas e pelo jornal Ou Mun. O 4º Governo da RAEM já pode ser julgado por alguma coisa: pelo seu novo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e pela capacidade de este eleger uma prioridade e de a assumir como compromisso: “Dentro de cinco anos, o sistema de saúde será o mais brilhante de sempre”.

A promessa vai directamente ao encontro das expectativas das pessoas, reconhece o novo governante que também sabe que a tarefa não é fácil, porque se parte com muita desvantagem em relação a padrões mínimos de brilho para a área da saúde. A conclusão do projecto do novo centro hospitalar das ilhas e a formação de médicos especialistas e enfermeiros são as prioridades concretas assinaladas, e subscritas com responsabilização pessoal, fez-nos saber o novo secretário.

Em muitas outras paragens, as promessas entram num ciclo de depreciação rápido assim que são postas cá fora. Por cá, pelo invulgar assomo de responsabilização pessoal, podemos conceder que se trata de uma mensagem de confiança que é urgente passar à população que esperou nas filas da saúde nos últimos cinco anos de mandato de Chui Sai On.

Ousamos dizer que a política local devia comunicar assim, mesmo que o adjectivo “brilhante” possa ser sujeito a muito escrutínio. É bom saber que há prioridades, medidas – um assessor recrutado já é um começo -, e que há alguém a dar a cara por elas sem nunca usar as palavras “estudar”, “aperfeiçoar” ou “ponderar”. Trata-se de executar.

Alexis Tam tem experiência recente na pasta que passa a ocupar, o que ainda não se pode dizer dos restantes secretários – que ontem foram mais cautelosos e menos capazes de assumir promessas concretas, encontrando refúgio na necessidade de se inteirarem dos assuntos.

Mas Raimundo do Rosário sabe que transportes e habitação são as prioridades; Lionel Leong sabe que terá de rever os contratos de jogo – e, sentidamente, a contra-gosto avançar com a implementação do salário mínimo –; Sónia Chan tem de tornar visíveis e expeditas as reformas da Administração e Justiça que andam em bolandas, talvez, desde que há Administração e Justiça; e Wong Sio Chak terá de pôr em bom funcionamento o novo modelo de fronteiras.

Efectivamente, é necessário fazer promessas, quando estas são concretas e com elas há uma responsabilização política, e depois é necessário cumpri-las – naturalmente – sem mais demoras. O que é preciso fazer está identificado. Já vem dos cadernos de encargos do Governo anterior, e dos antecessores, antes desse. Está na hora de recuperar o atraso e, simplesmente, fazer.

 

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