O orçamento analisado à velocidade de 78 rotações

“Um quê de quoi”

Cláudia Aranda

Do orçamento da RAEM para 2015 anunciado pelo Chefe do Executivo, podem tirar-se conclusões, certas ou erradas, pois ainda falta conhecer as justificações do Governo para ter tomado as decisões que tomou. No entretanto, leiam-se as entrelinhas.

Chui Sai On diz não estar preocupado com a queda nas receitas dos casinos, está confiante nas receitas não-jogo e nos rendimentos dos turistas que não param de chegar e de fazer compras.

Apesar destas certezas, o Governo está a ser cauteloso quanto às perspectivas da receita a arrecadar.

A despesa de 2015 terá tido uma variação pouco expressiva, ou seja, no entender dos economistas, este é um sinal de que o Governo prevê um período de marasmo durante o próximo ano.

O Fundo da Cultura foi reduzido, mas o Fundo dos Pandas mantém-se igual – cidadãos atentos expressaram já esperança de que este seja um sinal de que está para chegar a fêmea substituta da panda Sam Sam, que morreu este ano.

Porque há que manter os funcionários públicos sossegados, haverá aumentos salariais de 6,75 por cento para a função pública, acima da inflação prevista de 6,3 por cento, já a partir de Janeiro.

O Chefe do Executivo sugeriu que o sector privado fizesse o mesmo.

Imagina-se que os empresários farão orelhas moucas a esta recomendação, uma vez que não há indicação de que alguma coisa vá mudar para resolver os problemas que tolhem o crescimento das empresas: rendas de espaços elevadas, extrema dificuldade na contratação de mão-de-obra não residente que permita um aumento da competitividade.

O orçamento para os serviços de saúde cresceu e o Chefe do Executivo prometeu contratar mais pessoal médico – só se for fora de Macau porque aqui, como se sabe, os recursos estão praticamente esgotados – faltam médicos de especialidades diversas, médicos de medicina interna, na cirurgia geral, faltam os enfermeiros especializados.

Os cheques pecuniários para a população vão manter-se, mas sem aumentos, mas ainda assim suficientemente abonados para permitir extravagâncias, como viagens ao estrangeiro, e incrementar os lucros das agências de viagens.

No plano geral do orçamento a área da segurança terá sido a que saiu mais reforçada, com aumentos bastante acima da inflação, 12 por cento nas Forças de Segurança e 18 por cento para a Polícia Judiciária.

Ora, sabendo-se que a criminalidade na cidade é relativamente baixa, que diminuiu o tráfico e consumo de droga, que Macau continua a ter taxa zero de homicídios, este aumento do orçamento precisa de muitas explicações.

Será para se fazer um aumento da segurança nas fronteiras na Ilha da Montanha para evitar a entrada de clandestinos?

Será que é agora que o Governo vai ter carta branca das autoridades centrais para a abertura de fronteiras 24 horas e há necessidade de alargamento de fiscalização das alfândegas?

Ou este é um sinal de que há uma intenção de se fazer “um reforço da autoridade”, à luz das manifestações que aconteceram em Maio em Macau e juntaram milhares de manifestantes junto à Assembleia Legislativa?

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