Homenagem a Lei Pang Chu

Jorge Morbey *

Não é apenas à pessoa que foi membro permanente da Comissão Consultiva da Lei Básica de Macau, que pertenceu à Comissão de Selecção do Primeiro Governo da RAEM, à Associação dos Escritores de Macau, foi Subdirector e Director do Jornal Ou Mun, que escreveu “Macau – Passado e Presente”, “Obras Literárias de Macau”, etc. É principalmente ao Amigo e Colaborador efémero que nos deixou na passada semana que dedico estas linhas simples:

Lei Pang Chu,

Entrara o ano de 1988. Reforçara-se o apoio do Instituto Cultural às associações culturais e às actividades culturais de entidades não estatais. Realizou-se na cidade um grande certame em que quarenta e oito associações culturais revelaram ao público as suas capacidades de realização. Esse certame recebeu o nome de I Festival de Artes de Macau.

O caminho traçado pelo Instituto Cultural recebeu então uma robusta aprovação da sociedade civil, maioritariamente chinesa. O futuro de Macau fora decidido entre os governos da China e de Portugal nas negociações chanceladas pela Declaração Conjunta Luso-Chinesa, em 13 de Abril de 1987.

Era preciso reflectir sobre Macau, numa base social e cultural o mais alargada possível, para reduzir ao mínimo as margens de erro na construção do futuro. Uma vez mais, coube ao Instituto Cultural criar as condições para que se abrisse um amplo debate que viabilizasse uma reflexão profunda e extensa sobre a Cultura em Macau. Que produzisse o diagnóstico e elencasse alternativas. Era o início dos trabalhos preliminares das Jornadas de Reflexão sobre a Cultura em Macau: Diagnóstico e Alternativas.

Como entidade viabilizadora das Jornadas de Reflexão, o Instituto Cultural assegurou escrupulosamente a completa independência dos organizadores, dos intervenientes e da condução dos trabalhos. Não se impuseram, nem foram sugeridas quaisquer restrições. A regra de ouro era que ninguém nem nenhuma ideia seriam excluídos. Ao contrário, estimulou-se a participação daqueles que se assumiam então mais críticos relativamente à Política de Cultura e ao modo como o Instituto Cultural a executava.

A Comunidade Portuguesa de Macau, a avaliar pelas opiniões representativas recolhidas nas reuniões preparatórias coordenadas pelo Dr. João Amorim, desinteressou-se completamente.

A Comunidade Chinesa, ao contrário, congregou cerca de cento e cinquenta pessoas ligadas ao sector da Cultura que, em mais de trinta horas de trabalho conjunto, produziram valiosa documentação sobre música, teatro, bailado, artes visuais, literatura, actividade editorial, fotografia, filatelia, arqueologia, astronomia e património cultural. Esses materiais foram recolhidos num opúsculo de setenta e duas páginas editado conjuntamente pelo Instituto Cultural e pela Macao Daily News Publishing House.

Coordenou os trabalhos da Comunidade Chinesa nas Jornadas de Reflexão, que decorreram nos meses de Junho e Julho de 1988, o Senhor Lei Pang Chu.

Num adeus emocionado: Bem haja!

*Professor convidado na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e ex-   Presidente do Conselho Directivo do Instituto Cultural de Macau (1985/89)

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