Está na hora de parar para pensar

Cláudia Aranda

A rota da seda é o tema do fórum de turismo global que está a acontecer em Macau até quarta-feira. Xi Jinping deu a ideia, o objectivo é relançar a expansão económica da China, desta vez nos países da antiga rota da seda que há dois mil anos ligou a Ásia à Europa.

Macau e os seus governantes, sempre à deriva no que respeita a soluções para internacionalizar esta pequena aldeia presa na sua cintura de cimento e de poluição com pretensões a centro de turismo e lazer verdadeiramente mundial, lançaram o fórum dizendo que Macau conta com este evento para encontrar estratégias para se internacionalizar.

Mas, não era preciso tanto para encontrar estratégias, bastava consultar os especialistas em turismo que existem, muitos e bons em Macau, ou na falta de tempo para ouvir os entendedores, uma leitura de jornais chegava.

A região está ainda longe de ser um “destino internacional”: 89 por cento dos turistas ainda vêm de Hong Kong, Taiwan e do Continente, o aeroporto local tem poucos voos internacionais, o conhecimento de línguas estrangeiras sem ser o chinês por parte dos funcionários das estruturas de turismo é quase nulo.

“Sem estruturas básicas, capital humano e transportes” é melhor Macau permanecer como um mercado regional, avisou Anthony Wong, investigador do Instituto de Formação Turística em entrevista publicada no Jornal Tribuna de Macau. O especialista vê a abertura de mais casinos em Macau como “positivo”, para que a cidade se torne mais internacional, mas alerta: será que Macau suporta muitos mais visitantes?

As estradas estão saturadas, o trânsito é insuportável, a poluição atinge níveis obscenos de “insalubridade”, por causa dos carros, do consumo de energia, combustíveis, ar-condicionado, contaminação do ar pelas indústrias pesadas da vizinha região do delta do rio das Pérolas.

O especialista vai e declara com a legitimidade que só os académicos têm para afirmar aquilo que andamos todos a querer dizer: “O valor da indústria do turismo é para benefício da comunidade local. Se ajustar o crescimento económico implica sacrificar os benefícios da comunidade, será melhor abrandar o ritmo”.

O que o especialista recomenda é: Parar para pensar.

Um crescimento tão grande é desejável, ou não? Numa altura em que as receitas brutas do jogo continuam a cair a pique, o Governo pode talvez considerar refrear a expansão dos aterros e o aumento do número de mesas de jogo e de quartos de hotel e voltar-se para a resolução dos problemas reais da população, tornar Macau mais respirável, mais humana. Talvez assim turistas de outras paragens se sintam atraídos a cá vir internacionalizar esta cidade. Mas é preciso coragem dos governantes.

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