A maior conquista do Brasil

Sandra Lobo Pimentel

O Brasil vai a votos para escolher o próximo presidente. Entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, algumas sondagens dão conta de um empate técnico entre os candidatos. O apoio de Marina Silva a Aécio, candidato do PSDB, dividiu muitos do que votaram na candidata que chegou a ser apontada como a grande surpresa da primeira volta mas que, no fim das contas, ficou à porta do segundo turno.

A escolha do Brasil não parece estar fácil. Nas redes sociais há uma forte tensão entre os apoiantes. Na imprensa brasileira, muitos artigos de opinião tentam explicar por que razão a escolha não é fácil, e que a esquerda e a direita no Brasil têm por hábito andar sempre de mãos dadas.

Mas como é que não se vota em quem tirou milhões de brasileiros da pobreza? Por que é que uma parte do Brasil não quer votar no PT e reeleger a “presidenta” Dilma Rousseff?

O Mapa da Fome 2013 da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), mostra que o Brasil conseguiu reduzir a pobreza extrema – classificada com o número de pessoas que vivem com menos de um dólar americano por dia – em 75 por cento, entre 2001 e 2012.

No mesmo período, a pobreza foi reduzida em 65 por cento e o Brasil de Lula tornou-se um dos casos mundiais de sucesso na redução da fome.

O programa do governo federal Fome Zero nasceu em 2003, precisamente o primeiro ano do mandato de Lula. Foi apontado como uma das razões para o progresso verificado. Nasceu no mesmo ano o Bolsa Família, que consiste na transferência directa de renda com condicionalidades, que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza.

Serviu para unificar outras iniciativas do género que vinham do governo de Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa Escola ou o Bolsa Alimentação. Penso que seja possível concluir que as sementes lançadas no mandato de FHC foram colhidas por Lula que soube melhorá-las, dar-lhes ainda mais força.

O trabalho do PT é indesmentível. Curioso que agora, três mandatos depois, esse trabalho seja pouco para tantos que, precisamente, se tornaram classe média com Lula e Dilma. Mas esses brasileiros que pedem escolas e hospitais de qualidade, uma rede de transportes decente e mais segurança, não estão errados. Estão, aliás, muito certos.

A corrupção é a vergonha de muitas democracias modernas. Não parece que seja pelo “Mensalão” que Dilma tenha perdido tantos votos e apoio. Parece ser apenas pelo ciclo normal das coisas. Pela necessidade que as pessoas têm em querer mais.

No entanto, aconteça o que acontecer, o PT de Lula e Dilma será para sempre responsável pela maior conquista do Brasil: o combate à fome e à pobreza.

Quando nos confrontamos com o mais básico, damos valor. Quando a necessidade do básico já passou, quer-se mais, pede-se mais. E ainda bem. É assim que se evolui.

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