O patrão é quem manda

Sandra Lobo Pimentel

A edição deste ano do Festival da Lusofonia não parece ter começado bem. Em Julho rebentou a primeira bomba: o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, contra a vontade das associações, teria decidido que os grupos de música contratados pelo Fórum Macau não iriam poder participar no festival, como tem acontecido até aqui, e haveria instruções para se contratarem apenas dois grupos para actuarem na festa.

Numa carta enviada ao Instituto e que foi tornada pública pela imprensa, as associações falavam em “desrespeito” e numa tentativa de “destruir o festival”. Dias mais tarde, o impasse foi ultrapassado e parte das alterações pensadas aos moldes do festival foram abandonadas.

Mas ontem a polémica voltou. Numa decisão de última hora, dizem as associações e os órgãos de imprensa, que também tomaram conhecimento em cima do acontecimento, a cerimónia de abertura da 17ª edição do evento foi antecipada. Portanto, um dia antes de efectivamente começar, o Festival da Lusofonia já estava inaugurado.

Segundo as responsáveis das associações que o PONTO FINAL contactou, a justificação prende-se com o facto da secretária Florinda Chan não se encontrar no território hoje, pelo que falharia a inauguração para a data e hora que estava prevista no programa. E como o patrão é quem manda, toca de antecipar um dia, mesmo que ninguém estivesse à espera ou tudo o que estava planeado pudesse, facilmente, ser realizado com 24 horas de antecedência.

Para quem já vinha de trás com uma “luta” para que o evento se mantivesse nos mesmo moldes dos anos passados, este começo só pode ser um mau sinal ou, diria mesmo, um teste à paciência de quem trabalha com afinco para que haja um fim-de-semana que tantos apreciam, lusófonos e não só, e que é, indubitavelmente, uma das marcas de Macau para as comunidades que aqui vivem.

Voltamos à velha questão dos discursos de circunstância e do que, efectivamente, se faz em prol da lusofonia por aqui. Independentemente das justificações dadas pela própria secretária, confrontada com a questão aos microfones do Canal Macau na própria dita inauguração, parece que o embrulho saiu amarrotado. Afinal, a inauguração era da iluminação… e já estava no programa… Pois.

Quando contactado sobre os motivos para a alteração de planos, o gabinete de Florinda Chan respondeu que “isso é com o IACM”. É mais ou menos como aquele que responde “eu é mais bolos”.

Pior, no caso da Casa de Portugal, que tinha prevista uma actuação com crianças, esta não foi possível de antecipar. Não com a facilidade, julgo eu, que o Instituto conseguiu “convencer” os grupos contratados para actuar um dia antes do previsto. Houve samba, mas não houve contentamento das muitas pessoas que trabalham para pôr de pé o Festival da Lusofonia.

Como disse Helena Brandão a este jornal, parece que todos os anos há problemas, diria eu, algo tipicamente lusófono, para não dizer português, mas no fim a festa faz-se.

Certíssimo. É verdade que hoje e até domingo muitos de nós iremos passar pelo festival, comer e beber, ouvir música, conviver com as muitas comunidades que aqui habitam e que gostam da Lusofonia. Mas estes “problemas” não deviam persistir. O que deve persistir é a lusofonia deste pequeno lugar a Oriente. E a enorme vontade de todos em celebrá-la.

Advertisements
Standard

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s