Gás contra guarda-chuvas

Cláudia Aranda

Como vai terminar o braço de ferro dos manifestantes pela democracia em Hong Kong com a polícia, o Governo da região administrativa especial vizinha, o Governo Central?

Ontem, à hora de fecho deste jornal, os manifestantes continuavam nas ruas. O sentimento de revolta em relação à violência da polícia era grande nas redes sociais: “Somos “Hong Kongers, não nos ajoelhamos”, dizia uma mensagem.

Há uma semana 13 mil foram para as ruas num boicote às aulas feito pelos estudantes e alguns funcionários de instituições de ensino superior.

O Governo de Hong Kong, liderado pelo Chefe do Executivo, representante do Governo Central, Leung Chun-Ying, disse na altura que a contestação estudantil era ilegal e prometeu acção “firme” contra os manifestantes liderados pelo movimento Occupy Central, que exige que o Governo cumpra o prometido: que o Chefe do Executivo seja eleito em 2017 pelo voto livre e directo da população.

Ora bem, a promessa de acção vigorosa de Leung não se fez esperar. Nos protestos do fim-de-semana, que terão reunido cerca de 80 mil pessoas nas ruas, pelo menos, 78 pessoas foram detidas, incluindo líderes dos grupos organizadores dos protestos. A polícia lançou gás lacrimogéneo e gás pimenta, os organizadores advertiram os participantes que a polícia poderia vir a usar balas de borracha, e os manifestantes foram-se defendendo como puderam: protegendo-se com guarda-chuvas, capas e óculos de plástico, aguentando-se “firmes”.

Estes manifestantes só querem que o mundo saiba o que se está a passar em Hong Kong, como dizia um estudante de 19 anos. Nas ruas, enquanto manifestantes e polícias mantêm-se frente a frente, telemóveis, câmaras fotográficas e de televisão registam cada momento mais tenso e publicam de imediato nas redes sociais.

O Governo Central, que já se mostrou descontente com os actos ilegais que estão a pôr em causa a ordem social, não tem como controlar esta divulgação desenfreada dos acontecimentos, que tanto estrago faz à imagem harmoniosa de Hong Kong.

O mundo está a olhar para Hong Kong. A cidade está agora sob vigilância internacional. Qualquer acção da polícia e das autoridades locais contra os manifestantes ficará para sempre registada nas câmaras fotográficas e na memória universal das pessoas.

Para os manifestantes, a importância que as autoridades dão à “imagem” de Hong Kong no exterior poderá ser a sua arma mais valiosa.

Os protestos vão continuar, dizem os organizadores, e as imagens vão continuar a passar nas televisões e no twitter do mundo. Pode ser que os manifestantes consigam convencer as autoridades a recuar na sua decisão e a relançarem a reforma política em Hong Kong a troco do fim dos protestos e do regresso à harmonia social.

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