A expansão da lusofonia

Ricardo Jorge Pereira

Antropólogo

 

O volume económico das trocas comerciais entre a República Popular da China e os países que partilham a língua portuguesa equivaleu, em 2012, a cerca de 15% de toda a economia mundial, ou seja, a 95 mil milhões de euros.

Nos primeiros seis meses de 2014 o valor destas trocas comerciais atingiu os 48,4 mil milhões de euros que traduzem um aumento de 6,8% face ao período homólogo do ano que passou.

O Brasil – que tem, por estes dias, a primeira economia da América do Sul e uma das maiores do mundo (apesar de estar a passar por uma recessão) – é o principal parceiro comercial lusófono da China (só entre a China e o Brasil o fluxo comercial ascendeu, em 2013, a 61 mil milhões de euros).

Angola ocupa a segunda posição neste capítulo (vendendo à China cerca de metade dos produtos por si exportados: petróleo e café, sobretudo) e Portugal aloja-se no último lugar do ‘pódio’ (Portugal é, para além de um dos cinco países europeus com quem a República Popular da China rubricou um acordo de parceria estratégica global, o país que, na Europa, concentra um maior volume de investimento chinês: relembre-se que o anterior presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, numa entrevista à Rádio e Televisão de Portugal no fim do passado mês de Abril, explicou que as empresas do seu país deveriam ter intervindo mais nas privatizações empresariais que, até então, se verificaram em Portugal para impedir que capital chinês que, assim, foi investido tivesse, de facto, acontecido).

A dinâmica económica tecida em torno dos países que, na América, em África, na Europa e na Ásia, têm na língua portuguesa o seu idioma oficial tem levado outros países e, por isso, milhares de pessoas espalhadas pelo mundo a juntarem-se à lusofonia.

Por isso, sugiro ao leitor que me acompanhe no esforço de recordar alguns exemplos, recentes, que o demonstram:

  1. na Argentina chegou a ser aprovada uma lei segundo a qual passaria a ser obrigatória a existência (mas não de frequência compulsiva) da disciplina de Português em todas as escolas de ensino secundário e mesmo nas do primário nas províncias próximas da fronteira com o Brasil;
  1. no Senegal, na Namíbia, na África do Sul ou nas regiões espanholas da Catalunha e da Galiza se vieram a verificar, entretanto, ‘movimentações’ desse género, mais ou menos semelhantes, envolvendo uma aproximação institucional à língua portuguesa (por exemplo, há cerca de dois meses, a Indonésia – cujo presidente, em fim de mandato, Susilo Bamgbang Yudhoyno esteve, por estes dias, em Lisboa – desejou formalizar o pedido de observador junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – a CPLP) ;
  • a adesão da Guiné Equatorial à CPLP comprovou, uma vez mais, a notoriedade política, económica e cultural da lusofonia e abriu-lhe também, apesar dos reparos que lhe foram apontados, justa e injustamente, a propósito dessa ‘união’, novas oportunidades na área dos negócios, do comércio, do turismo, do emprego, do …;
  1. de entre os 254 alunos da disciplina de Português inscritos no Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, na Universidade de Lisboa, representando 36 nacionalidades (desde a norte-americana, a mexicana ou a paraguaia no continente americano à argelina, a marroquina e a camaronesa em África, entre outras), 96 (ou se se preferir, perto de 38%) são chineses.

Língua portuguesa também chamada (de forma incorrecta) de língua de Camões.

Porque se é um facto que ela começou por ser, apenas, falada em Portugal, a verdade é que, a partir do momento em que, também, começou a ser falada no Brasil, em São Tomé e Príncipe, em Cabo Verde, em Angola, na Guiné Bissau, em Moçambique, em Timor, em Macau, em Goa (e, igualmente ajudada por movimentos migratórios, em muitos outros lados…), ganhou novos intérpretes, sim, mas também novos sons, novas grafias e, por fim, novas palavras.

Assim, esta “evolução linguística” (embora alguns, reconhecendo o ‘fenómeno’, lhe prefiram chamar “involução linguística”…) estará assegurada enquanto houver quem fale Português.

Se a língua portuguesa é, hoje, falada por cerca de 250 milhões de pessoas no mundo e muitas delas vivem em alguns dos países mais pobres e menos bafejados pela fortuna, prevê-se que, em 2050, sejam 335 milhões os falantes de Português.

Confiemos, no entanto, que esta previsão de crescimento esteja em sintonia com a melhoria das condições de vida dos actuais “pobres da lusofonia” e que seja sinónima de prosperidade, de desenvolvimento e de dignidade.

Para todos.

Elogio ao Oriente

 

Após a destruição, pelos guerrilheiros taliban, das estátuas dos budas da Bamiyan, no Afeganistão, em 2001, o comendador Joe Berardo decidiu, em boa hora, homenagear o património da humanidade então arrasado.

Começou a edificar, por isso, pouco depois, o espaço Buddha Éden (que se tornaria, entretanto, o maior jardim na Europa dedicado ao Oriente).

Localizado nos arredores da vila do Bombarral, situada a pouco mais de oitenta quilómetros de Lisboa, o Buddha Éden (o ‘Paraíso dos Budas’) é um espaço de 35 hectares que evoca, em cada uma das dezenas de estátuas que o preenchem, a espiritualidade, a grandiosidade e a harmonia que se vê – e se sente… – no Oriente.

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