Quando as receitas dos casinos caem

Cláudia Aranda

Três meses seguidos de quebra nas receitas do jogo em Macau é algo que soa a muito más notícias para quem vive de impostos cobrados aos casinos como é o caso do Governo de Macau.

Falta saber que medidas concretas o Executivo pretende tomar para garantir que os residentes deste território podem ainda contar com uma melhoria de vida e de bem-estar, não obstante a redução de receitas dos casinos.

Em Julho quando se verificou pela primeira vez uma queda na receita bruta dos casinos em cinco anos (a última vez que tinha havido uma quebra tinha sido em 2009 na sequência da crise financeira mundial) falou-se que a culpa era do Mundial de Futebol de 2014, que roubou jogadores, entusiasmados em fazer apostas em equipas vencedoras.

Antes disso, já os analistas alertavam para as consequências da guerra contra a corrupção declarada pelo Governo Central. Estas medidas incluíam formas de limitar transferências de dinheiro ilegais da China Continental para casinos de Macau (através dos terminais Union Pay, que permitiam transações ilegais acima do limite de 20 mil yuan que os viajantes do Continente podem transportar para Macau). O analista Albano Martins avisou, na altura, que o controlo sobre estes terminais iria limitar a liquidez dos jogadores e, consequentemente, reduzir as receitas dos casinos. O alerta era justificado, as consequências estão à vista.

As receitas brutas do jogo em Macau têm vindo a decrescer de forma consistente, após as restrições sobre a empresa chinesa Union Pay, que terá provocado uma fuga dos “high rollers” ou jogadores de altas apostas de Macau para Las Vegas – facto que, boas notícias para o lado de lá do mundo, está a fazer aumentar os ganhos da cidade do jogo americana. Quem o diz são a agência Bloomberg e os analistas da bolsa de valores norte-americana Nasdaq. As receitas deverão continuar a cair em Setembro e há quem avise que Macau ainda não atingiu o fundo. Ou seja, as receitas dos VIP vão continuar a contrair e a decrescer “nos próximos seis a nove meses”.

Perante estas notícias, ou seja, a possibilidade da torneira dos casinos vir a deitar um fio cada vez mais fino de patacas, accionam-se a sirene e as luzes amarelas de alarme dos residentes de Macau – ainda à espera de poderem beneficiar dessa riqueza imensa e ver a sua qualidade de vida e de bem estar a aumentar de forma proporcional à montanha de dinheiro que aqui se produz.

Os funcionários dos casinos já estão a agir, fazendo pressão sobre as suas entidades empregadoras, exigindo mais benefícios. Os patrões não têm muito espaço de manobra, face à escassez de mão-de-obra, pouco mais lhes resta se não responder às exigências dos trabalhadores. Com tudo o que isso possa implicar nas margens de lucro das empresas casineiras.

Quanto aos restantes cidadãos podem e devem continuar a pressionar e a questionar o Governo sobre tudo o que está por fazer. Por exemplo, como ficou a discussão sobre onde colocar o dinheiro do fundo soberano destinado a melhorar o desempenho da gestão da reserva financeira de Macau (para já em bancos de Hong Kong) – esse mesmo criado para sustentar os habitantes caso a torneira se feche definitivamente. A criação do fundo foi sugerida pelo FMI num relatório publicado em Julho e depois incluída no programa eleitoral do único candidato e vencedor a Chefe do Executivo, Chui Sai On.

Já agora, o que é feito das outras sugestões deixadas pelo FMI: preparação para o abrandamento de receitas do jogo, o envelhecimento da população, abordagem da desigualdade social?

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