Salário curto

[Um quê de quoi]

Cláudia Aranda

A proposta do salário mínimo do Governo de 30 patacas por hora para os trabalhadores dos serviços de limpeza e segurança nas áreas comuns dos prédios foi aprovada na generalidade. Ainda falta a discussão na especialidade.

Foram anos de discussão, dias de debate e horas e horas de contestação para chegar a meio caminho de atingir um salário mínimo, curto.

Foi um longo processo de concertação entre representantes de empregadores e de trabalhadores para chegar a acordo sobre um valor mínimo considerado justo há anos (2011), que seria de não menos que seis mil patacas, e que assim ficou, não obstante o aumento galopante do custo de vida.

Os empregadores, empresários que também são deputados, sempre divididos, como sempre estiveram, pendendo a favor de interesses empresarias e económicos, que continuam a prevalecer como sempre dominaram, voltaram a invocar argumentos criativos como o impacto deste valor mínimo na inflação, os custos sociais e por aí fora.

O valor mínimo, apesar de curto, foi acordado. Todavia, a procissão, ou se quisermos a discussão, ainda só vai no adro da Assembleia Legislativa.

Nada está ainda garantido. Até que a proposta possa vir a ser aprovada na especialidade e que, eventualmente, entre em vigor, tudo pode acontecer. Inclusive mais debates, mais contestação, redução do valor proposto das 30 patacas, a assembleia pode até deixar o assunto arrefecer, pô-lo em banho-maria e esperar até próximas núpcias, que podem ser no dia de são nunca.

Os idosos que exercem hoje a função de porteiros muito provavelmente nunca vão ver a cor das seis mil e duzentas e quarenta patacas mensais que poderiam vir a receber. É provável que sejam despedidos muito antes que tal venha a acontecer.

Ainda, assim, ficou no ar a possibilidade deste valor mínimo, curto para fazer face ao aumento dos preços, e agora aplicável apenas a porteiros e empregados de limpeza, possa vir a ser alargado a toda a sociedade local.

Ou seja, se tudo correr bem, este é o princípio para Macau conquistar um salário mínimo, ainda que curto, para todos os sectores de actividade. Palavra de Francis Tam, o secretário para a Economia e Finanças.

Espera-se que este salário mínimo, um dia, venha a ser aplicável também aos trabalhadores imigrantes. Espera-se que valores mais altos se levantem e que o salário mínimo, agora tão curto, cresça, também, pelo menos, uns milhares.

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