Universidade para que te quero

Cláudia Aranda

A falta de massa crítica tem sido sempre o calcanhar de Aquiles da sustentabilidade económica de uma série de ramos de actividade em Macau, incluindo das universidades.

É mais ou menos do conhecimento comum que as universidades locais dependem quase tanto da importação de estudantes da China Continental e do estrangeiro, quanto os casinos precisam de turistas e jogadores chineses para alimentar o bacará.

No ano lectivo de 2012/2013 havia 27.776 alunos inscritos nas dez instituições de ensino superior existentes no território, das quais quatro são públicas e seis são particulares. Do total daqueles quase 28 mil estudantes, 34 por cento eram alunos externos, 96 por cento provenientes do Interior da China.

A entidade com mais estudantes era a Universidade de Macau, com um total de 8.481 estudantes a frequentarem cursos no ano de 2012/2013.

É interessante analisar que, por exemplo, no ano lectivo de 2011/2012 do total dos 33.121 locais, residentes de Macau, que se inscreveram no ensino superior, quase metade (cerca de 15 mil) fizeram-no em instituições de ensino superior fora do território. Será por falta de confiança na qualidade e liberdade do sistema de ensino local?

As pressões a que os académicos estão, alegadamente, a ser sujeitos nas instituições de ensino superior do território – nomeadamente na Universidade de Macau e a saída do professor Éric Sautedé da Universidade de São José,  justificada pelo próprio reitor como resultante  das suas intervenções políticas públicas – despertam preocupações quanto ao nível de ensino que algumas das entidades estão a querer impor aos seus estudantes, o qual passa aparentemente pelo silenciamento de professores e estudantes mais reivindicativos.

Perante este cenário assustador de censura à liberdade de pensamento e ao espírito crítico, e podendo optar por algo de diferente, seguramente que os jovens locais vão continuar a querer fugir ao blackout de conhecimento – e a encher os bolsos e os cofres das universidades de Hong Kong e de muitos outros destinos. Muito provavelmente, um dia destes também os estudantes da China Continental vão começar a pensar duas vezes antes de escolherem estudar na gaiola dourada que Macau oferece.

Resta saber se e como vão depois as instituições de ensino superior ser capazes de sobreviver.

 

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