Prioridades…

[Um quê de quoi]

Cláudia Aranda

O prémio Nobel da Literatura português José Saramago morreu neste dia, 18 de Junho, em 2010. Há quatro anos, o Presidente português Cavaco Silva faltava ao funeral desta figura grande da língua portuguesa, traduzido e admirado em todo o mundo, alegando não ser amigo nem conhecer Saramago pessoalmente.

Há dois dias, data do jogo de estreia no Mundial de Futebol no Brasil de Portugal contra a equipa da Alemanha, foi uma surpresa não ver nenhum representante português ao lado da líder alemã Angela Merkel, que ali estava, firme, a mostrar apoio à equipa.

Da parte portuguesa, o vazio. Cavaco Silva, ainda antes do desfalecimento do 10 de Junho, já havia passado a bola a Passos Coelho que, por sua vez, cancelou a viagem à ultima hora.

A tarefa de representação do país de uma das equipas mais temidas do Mundial – sim, porque somos temidos e respeitados por esse mundo fora, apesar do desaire no primeiro jogo, e sim, goste-se ou não, é graças ao futebol (e ao Cristiano Ronaldo e outros fenómenos da bola) e não graças à troika que o nome de Portugal anda aí de boca em boca – terá sido delegada a alguém, que poucos conhecem ou terão conseguido identificar no meio da multidão (eu não consegui).

Claro que a presença de um primeiro-ministro por estes dias tão mal-amado pelo seu eleitorado não teria alterado os resultados no marcador do estádio Arena Fonte Nova, em Salvador da Baía. Mas, teria suavizado o impacto no estômago de ver Merkel a acenar sorridente para os fãs alemãs – Angela, essa mesmo, a eterna inimiga número um dos portugueses.

Tal como em 2010, faltou a estes dirigentes grandeza, para não falar que faltaram também coisas mais mesquinhas, como sentido de oportunidade política e diplomática. Incapazes de estar com os portugueses nos únicos momentos em que estes verdadeiramente se unem – quando se trata de torcer pela selecção – também não foram capazes de delegar a tarefa numa figura de peso. Poderia ter sido alguém do desporto, da cultura ou das artes em Portugal, com nome reconhecido nos canais desportivos ou culturais internacionais.

À falta de um Eusébio, diria que teríamos ficado melhor representados por alguém, por exemplo, da literatura, António Lobo Antunes? Ou da música, a fadista Mariza, ou das artes, a artista plástica Joana Vasconcelos. Ou, talvez, por um dos mais antigos pivot do canal de televisão RTP – e escritor – José Rodrigues dos Santos? Estas são caras e figuras definitivamente mais populares e inspiradoras – goste-se ou não.

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