Pare, escute e olhe

[Um quê de quoi]

 

Cláudia Aranda

 

Não foi há muito tempo que indo eu de boleia no automóvel de uma amiga, somos paradas pela polícia de trânsito e autoritariamente multadas no valor de algumas centenas de patacas, pelo facto de não termos parado na passadeira que distava a uns 50 metros. Perante a ordem de infração a amiga questionou-me: “Mas havia pessoas à espera para atravessar a passadeira?”. “Confesso que não vi ninguém”, disse eu, fazendo a ressalva que, enquanto passageira, não estava tão atenta quanto estaria se fosse eu ao volante, mas que não me tinha saltado à vista que houvesse alguém.

Ora bem, o código da estrada prevê que os condutores reduzam a velocidade nas passagens assinaladas para a travessia de peões e que, se necessário, detenham a marcha para deixar passar os peões que se encontrem na faixa de rodagem.

Fazendo uma leitura à letra do código, a minha amiga deveria ter reduzido a marcha à vista da passadeira, para o caso de ter de deter a marcha, mesmo não havendo peões visíveis à espera de passagem. Trata-se de uma forma de prevenção, uma vez que os transeuntes podem lançar-se à estrada a qualquer momento e sem aviso, sobretudo quando o sinal está verde para os peões.

De acordo com esta leitura, o agente teve razões em impor-lhe uma multa, até porque, como já foi dito antes pelo Departamento de Trânsito do Corpo de Polícia de Segurança Pública, os agentes têm ordens para não facilitar.

Os casos recentes de atropelamento, um deles mortal de uma adolescente de 14 anos, reportado na imprensa local portuguesa e chinesa, uns ocorridos na passadeira e outros fora, fazem crer que ainda há muito por fazer para educar condutores e peões.

O problema é quando são os próprios agentes da autoridade que vão ao volante e relaxam no cumprimento das regras de trânsito. Já aconteceu umas quantas vezes ter de estacar a marcha abruptamente no início da travessia de uma passadeira, porque um automóvel da polícia conduzido por agentes da autoridade passa sem reduzir a velocidade ou deter a marcha para dar passagem – gentilmente – ao transeunte como seria de esperar da autoridade, que é quem deveria dar o exemplo.

Ora bem, fica, então, aqui a questão: a quem cabe a responsabilidade de puxar as orelhas e punir a polícia e agentes da autoridade quando são estes que praticam as infracções?

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