Unidos pelo ódio

Iris Lei

 

O regime de garantias para ex-titulares dos principais cargos públicos da cidade tem baixas probabilidades de ser abandonado, a menos que o sentimento da população se torne tão forte quanto como em relação a matérias: a oposição à contratação de croupiers e motoristas não-residentes e a proibição geral de fumo nos casinos. Como sempre, enquanto se aguarda que água aqueça e ferva, há alguns movimentos.

Há dias, houve deputados que se mostraram abertamente contra o esquema para benefício próprio e que discrimina os ex-governantes com vínculo à Administração daqueles que vêm do sector privado, algo visto como inaceitável. A publicação ligada à Novo Macau, a Macau Concealers, promove agora uma campanha provocadora na qual procura recolher as chamadas ‘selfies’ de quem se opõe ao regime. Independentemente do número de aderentes à campanha, a publicação com mais de 30 mil apoiantes exerce uma influência que permite exprimir oposição.

Porque é que recompensar os governantes cria uma sentimento tão negativo na sociedade? O permanente esforço deles pela RAEM não justifica as garantias? Há 1200 likes e 967 partilhas no Facebook que indicam que não.

Quantos são os potenciais ex-governantes beneficiados? No máximo, 11 até aqui, incluindo o actual e o antigo chefes do Executivo, cinco secretários, os responsáveis das Alfândegas e das polícias e os comissários contra a Corrupção e da Auditoria.

Quanto chegarão a receber? A proposta garante diferentes tipos de compensações: um subsídio em bolada, outro decorrente do regime de impedimento e pensão (caso haja lugar a tal). Pondo de parte as condições reservadas aos ex-líderes de Governo – as mais questionadas – os restantes governantes ganham direito a um montante único quando cessam funções. Neste caso, prevê-se um valor de 30 por cento do vencimento multiplicado pelo número de meses de serviço. No entanto, se estiver em causa alguém cuja carreira parta das bases da Administração, a proporção é menor, de apenas 14 por cento.

Segundo o Governo, a discriminação serve para atrair mais pessoal do sector privado. Basicamente, são beneficiadas duas pessoas: Francis Tam e Edmund Ho, chegados à Administração por talento ou ligações familiares.

O caldo irá entornar? Não estou optimista enquanto cibercidadã. Mas pelo menos serve de recado àqueles que procuram a reeleição ou renomeação: o desempenho deles deixa muito a desejar. Fazer ver que não são bem-vindos pode não pesar muito, mas pelo menos contribui para unir a população, já que o ódio é a arma mental mais poderosa.

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