(Des)Envolvimento Sustentável I

[Espaço d’Arquitectura]

 

Paulo Mendes Ricardo *

A presente realidade de Macau é por todos comummente aceite como intensa, massiva e que provocará, uma vez mais, forte transformação na forma como se viveu a cidade, como se desenvolve o território e como se projectará Macau, no futuro.

É sabido que Macau está a fervilhar numa vertigem sôfrega de um dinamismo acelerado de desenvolvimento mais ou menos consequente. De facto, pode dizer-se que este pequeno território atravessa novamente uma temporada de grandes mudanças, de implementação de grandes estruturas num espaço já há muito limitado. Este evolui extraordinariamente, de dia para dia, com particular responsabilidade no desenvolvimento de novos e colossais casinos, na implantação marcante do metro de superfície e nas (in)evitáveis torres destinadas a habitação, entre outras infraestruturas mais ou menos significativas.  Efectivamente, parece existir uma ansiosa sensação de celeridade que poderá advir de uma noção de sucesso cíclico desta região.

Convém nunca esquecer que estas alterações lestas no território podem vir a causar uma influência na comunidade por vezes pouco premeditada ou estudada, contrariando o planeamento territorial desejável e sustentável.

Esse Planeamento Sustentável deve, numa primeira instância, prever de forma antecipada os problemas que poderão surgir e, com objectivo de os evitar e tornar mais eficaz a gestão dos recursos, deverá influenciar os Planos em fase de desenvolvimento (Fase Projectual).

O Desenvolvimento Sustentável deve considerar as necessidades do presente, sem que estas possam comprometer a resposta das necessidades das gerações futuras. De resto, esta premissa foi já defendida em relatório emitido pela Comissão Mundial das Nações Unidas para o meio ambiente e Desenvolvimento (World Commission on Environment and Development), decorria o ano de 1987. O objectivo era definir estratégias que promovam políticas de desenvolvimento sustentáveis em diversos âmbitos como conceptuais, sociais, económicos e, principalmente, ambientais.

A Arquitectura, como forma de expressão, não deverá escapar a esta orientação de base. Para que isso aconteça, é necessário considerar, a montante, os impactos resultantes da implantação de um plano ou de um edifício tanto ao nível ambiental como social. A intenção maior será de mitigar ou minimizar esses impactos. A mesma orientação deverá ser seguida na abordagem aos edifícios por forma a considerar e minimizar os recursos naturais consumidos. O consumo energético, o consumo de água, a escolha dos materiais utilizados com base no seu comportamento e, ainda, todos os materiais utilizados na sua construção deverão ser considerados igualmente. O ciclo de vida do edifício deverá também ser contabilizado,  abrangendo o projecto, a construção, o funcionamento e a manutenção até ao final da vida útil do edifício.

O principal objectivo passa por criar um sistema integrado de opções, que considere a estética, o conforto e a qualidade de vida com o mínimo de impacto na envolvente. Contribui, assim decisivamente para um melhoramento da qualidade de vida entre as populações e o meio ambiente que as rodeia.

Se  reflectirmos e atentarmos, conscientemente, inferimos que  existe um longo caminho a ser percorrido neste domínio, em Macau. Os seus responsáveis e a população serão, no futuro próximo, impelidos a tomar decisões mais efectivas em relação à forma como é gerido o equilíbrio entre o espaço construído, o meio-ambiente e as decisões que são tomadas para a gestão territorial da RAEM.

O paradigma deverá passar por uma abordagem que considere que qualquer actividade que seja Sustentável pode e deve ser Economicamente viável, Socialmente equilibrada e Ecologicamente acertada.

 

*Arquitecto

Bibliografia:

–       Our Common Future – Report of the World Commission on Environment and Development

(http://conspect.nl/pdf/Our_Common_Future-Brundtland_Report_1987.pdf)

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