Perspectivas profissionais para a qualificação e acreditação na saúde mental

[Voz feminina]

 

Ao longo dos últimos meses, em Macau, tem vindo a haver um debate nos media acerca do estágio obrigatório de um ano para reconhecimento da formação dos médicos. É efectivamente essencial estabelecer padrões de qualificação, uma vez que os serviços providenciados afectam directamente o bem-estar dos pacientes. Na mesma medida, para que se salvaguarde o bem-estar de quem procura acompanhamento no campo da saúde mental, a regulamentação do processo de credenciação permite aferir as práticas da profissão pelos indivíduos que cumprem os critérios do seu sector.

Enquanto algumas pessoas gozam de um estilo de vida glamouroso trazido por uma década de expansão económica em Macau, muitos outros lutam com problemas sociais, familiares e financeiros, e com um constelação de tormentas que resulta desse mesmo crescimento.

Cabe fora deste espaço debater as diversas questões cognitivas, emocionais e comportamentais que são indissociáveis do rápido desenvolvimento de Macau. No entanto, é aparente que este fenómeno carece de intervenção relevante. Como membros dedicados de um grupo constituído por profissionais de saúde mental e por alunos empenhados, desanima-nos ver que as pessoas vivem com desesperança, agitação e misérias. Deixa-nos extremamente tristes que apenas uma pequena parte delas procure ajuda externa.

Compreensivelmente, alguns valores culturais chineses podem impedir as pessoas de partilharem as suas dificuldades pessoais, especialmente questões relacionadas com a família e com os outros. Apesar do impacto desta tradição, há quem deseje receber ajuda. Porém, não faz ideia de a quem deve recorrer.

Verdadeiramente, as funções pouco distintas que são partilhadas por assistentes sociais, conselheiros, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais podem ser confusas para quem se sente já esmagado pela própria dor e sofrimento. Por exemplo, um assistente social pode oferecer apoio emocional às vítimas de violência doméstica. Alguns pacientes consultam um psiquiatra com o fim de obterem receitas de medicação que ajudem a lidar com os problemas psicossomáticos; outros acreditam que os psiquiatras são os únicos profissionais dos quais precisam no que diz respeito aos problemas mentais de que sofrem. Poucos têm consciência de que terem alguém que os oiça com atenção exclusiva é tremendamente terapêutico.

Para responder às crescentes necessidade e procura por serviços de aconselhamento, como profissionais e apoiantes de saúde mental sentimo-nos impelidos a explicar o significado e implicações do conceito de aconselhamento. É também oportuno que iniciemos um discurso que explore caminhos para estabelecer padrões cruciais e a regulação que governe a prática de ajuda profissional.

Actualmente, um número de profissionais académicos da Universidade de Macau e da Universidade de São José possuem os conhecimentos e qualificações para prestar aconselhamento e serviço de psicoterapia. Além disso, estas duas instituições de ensino superior oferecem programas pré-universitários e de graduação em psicologia e aconselhamento, treinando os alunos para o exercício profissional na área da saúde mental. Parece haver terreno favorável que apoie o nosso empenho em trabalhar pela fundação de uma forte base profissional.

Bastante recentemente, a Comissão de Assuntos Médicos expressou preocupação relativamente aos critérios mínimos a que devem obedecer aqueles que prestam serviços de saúde mental. Vemos urgência em que os membros da Comissão de Assuntos Médicos dialoguem com académicos das duas universidades de Macau e, possivelmente, das universidades da região asiática, bem como com profissionais de saúde mental, relativamente à credenciação e estabelecimento de padrões de prática na área da saúde mental.

A vocação e a motivação de quem presta serviços de aconselhamento clínico é a são as mesmas em todo o mundo: facilitar às pessoas a exploração de recursos que lhes permitam lidar com a angústia nas relações intrapessoais e interpessoais. Percebemos a importância do reconhecimento dos profissionais cujas qualificações estejam à altura dos padrões mínimos da educação e da experiência clínica supervisionada. Na actual conjuntura, aquilo que se perfila na horizonte pode ser visto como a perspectiva de solidariedade entre profissionais de saúde mental para que sejam criadas as fundações em prole do bem maior da população de Macau.

 

Um grupo de professores, alunos e profissionais de saúde mental.

 

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