Quem é que se está a rir agora?

Iris Lei

Recentemente têm vindo a público relatórios e estatísticas que apontam para um conflito entre o grau de desenvolvimento económico do território e o nível de felicidade dos habitantes. Concluem que há maior pressão sobre os agregados familiares e mais desigualdade na distribuição da riqueza, o que tira os sorrisos dos lábios dos residentes.

Foi divulgado um estudo que avaliou as fotografias com sorrisos colocadas nas redes sociais por residentes de seis mil cidades do mundo, medindo a forma e o tamanho do sorriso. Ignorando questões de representatividade, já que acredito que há pouca probabilidade de os “infelizes” usarem o Instagram para se expressarem, o dito estudo concluiu que Macau está em melhor situação que Hong Kong e a China Continental, mas abaixo de Taiwan, com 13.3 pontos, numa escala que chega até aos 100 pontos.

Parece-me que o Chefe do Executivo acompanha os residentes, a avaliar pelo seu desempenho na Assembleia Legislativa, na terça-feira – não se viu nem um sorriso e, desde a visita a Ka Ho na semana passada, Chui apresenta um ar adoentado. Ao encorajar os empregadores do território a aumentar os salários, o Chefe do Executivo não deixou os patrões do sector privado mais contentes, até porque as suas declarações foram apenas uma lembrança, sem qualquer consequência prática.

A ausência de sorriso na cara de Chui pode dever-se às suas preocupações com a reeleição, estando apreensivo com a possibilidade de ter um concorrente poderoso e com a falta de confiança das associações tradicionais, ou até do Governo Central. O Chefe do Executivo pode ter dado um grande contributo para os maus resultados de Macau no estudo dos sorrisos, com a publicação de ‘selfies’ nas redes sociais.

O índice dos sorrisos pode reflectir a realidade – as pessoas sorriem, mas apenas uma minoria, e como referiu o deputado Mak Soi Kun, têm “sorrisos amargos”, obrigados a lidar com tantas dificuldades, como os transportes, a habitação e os serviços de saúde. Esses sorrisos matreiros e gargalhadas não podem ser medidos nas redes sociais.

Quem é que, entre os residentes, apresenta sorrisos mais rasgados? Os empresários, claro. Mostram-se satisfeitos com as medidas apresentadas para a procura de mais terrenos, o que vai gerar mais oportunidades de negócio na Ilha da Montanha. Como revelou o Chefe do Executivo, os contratos de concessão e subconcessão das operadoras de jogo vão ser revistos em 2015, cinco a sete anos antes de expirarem.

Não devemos também esquecer os membros da Associação de Conterrâneos de Jiangmen, já que o Chefe do Executivo abriu a possibilidade de cooperar com esta cidade do sul de Guangdong. De facto, Jiangmen tornou-se incontornável depois das eleições para a Assembleia Legislativa, e especialmente depois de milhões de patacas terem sido canalizadas para reconstruir o Edifício Sin Fong. Com fama e (elevados) juros, os sorrisos das pessoas de Jiangmen podem bater recordes na escala. Mas infelizmente o estudo não avaliou os seus ‘selfies’ no Instagram.

 

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