A (má) matemática de Crato

João Paulo Meneses

Seria de esperar que ao fim de tantos anos o ministro Crato chegasse a Macau e anunciasse que 1) a Escola continuaria no mesmo local; 2) apresentou em primeira-mão às autoridades de Macau os novos estatutos da Fundação Escola Portuguesa de Macau e 3) todas as questões financeiras, nomeadamente envolvendo o donativo da SJM, estão esclarecidas (já agora, em benefício da Escola…).

Mas não, o ministro apenas encerrou a primeira questão – que era a mais fácil de resolver, a que menos ‘esforço’ exigiria e aquela que há mais tempo deveria estar concluída. Não foi bom, mas também não foi mau – até porque o problema já vinha dos seus antecessores e, ao menos, ficará o mérito de o ter resolvido.

Se critico Crato não é por não ter – ainda – resolvido as outras duas questões (admito que seja necessário mais tempo).

Critico porque me parece que o ministro foi ingrato com as autoridades de Macau.

«Aquilo que vem do Executivo local são suplementos», disse o ministro.

Ou seja, o dinheiro que a RAEM dá à Escola Portuguesa são (apenas, reforço eu) «suplementos».

Os jornalistas são sempre os mesmos, sempre a querer encontrar problemas onde eles não existem…

Problemas onde não existem?

Sim, a palavra suplementos foi uma força de expressão, não era certamente isso que o ministro queria dizer.

Vamos, então, à frase original – e que não mereceu contestação – do ministro: «O Estado português contribui através dos salários dos professores, da colocação de professores e de fundos que são disponibilizados regularmente à escola. Aquilo que vem do Executivo local são suplementos que são muito bem-vindos e são muito importantes para beneficiar a escola, dignificar a escola e ajudar a que a escola seja melhorada».

Mas a RAEM não está a pagar os 49% que eram da Fundação Oriente? É que não são apenas os 9 milhões de patacas da Fundação Macau, a Direcção de Serviços de Educação e Juventude dá mais uns milhões…

Se ainda por cima, e por razões que se compreendem, o Ministério da Educação não tem aumentado a sua comparticipação e a Fundação Oriente deixou de dar o subsídio de um  milhão de patacas que ainda deu em 2012, será correcto/justo/honesto falar em «suplementos»?

Tanto quanto se percebe, em Macau ninguém ficou aborrecido com a ‘ingratidão’ do ministro português.

Um lapso? Uma confusão? Contas mal feitas pelo matemático Crato?

É provável.

Mas 49% de 30 milhões de patacas não são suplementos nem  «são muito importantes para beneficiar a escola, dignificar a escola e ajudar a que a escola seja melhorada». 49% de 30 milhões pagam metade da Escola, pagam ordenados, pagam despesas correntes, pagam, até, investimentos.

Sem os 49% de 30 milhões esta Escola Portuguesa de Macau fechava e era outra coisa bastante diferente.

 

PS – e como vai ser o governo da RAEM a pagar as obras que aí vêm, estou convencido de que fecharemos 2014 (ou o ano lectivo de 14-15) com o governo da RAEM a contribuir com bastante mais do que 50% do orçamento global da Escola.

Crato não teria querido dizer, em vez de suplementos, suprimentos?

 

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