Óscares da vida

Iris Lei

 

Com os mais famosos prémios cinematográficos a aproximarem-se, a vida ganha cada vez mais emoção. Se gosta de cinema, já se terá apercebido que, por vezes, a vida é mesmo como um filme.

Lembremos o clássico “O Padrinho”, uma das melhores trilogias de sempre e vencedor do Óscar para melhor filme em 1973. Don Corleone envia o seu advogado para falar com um realizador, já que o seu afilhado tinha sido rejeitado como protagonista do filme de guerra que estava a ser filmado. O realizador ignora o pedido do advogado e acaba com uma cabeça de cavalo ensanguentada na sua cama.

Há também “Shutter Island”, de Martin Scorsese, com DiCaprio a brilhar – os dois são nomeados para os prémios deste ano. Será que o detective (DiCaprio) está a investigar um misterioso caso numa ilha remota, ou a investigação é apenas parte de uma farsa para curar o recluso e paciente psiquiátrico? A verdade não é importante, o que interessa é que já fomos persuadidos a acreditar no que nos dizem ser a verdade.

Temos ainda o épico “Mil novecentos e oitenta e quatro”, passado na orweliana Oceania. Grupos de editores trabalham para o Ministério da Verdade, alterando os registos históricos de modo a ir ao encontro dos objectivos do partido, e apagando documentos relevantes para que ninguém se lembre, ou conheça, a verdade.

Se acreditarmos que a vida e os filmes estão magicamente ligados, conseguimos perceber em que direcção caminhamos. Primeiro, usam-se como ameaça acções ao bom estilo das tríades. Claro que não são deixadas provas, mesmo que existam câmaras de segurança. Alguns podem argumentar “Se não há provas, como sabes que alguém estava a ser intimidado?”. O padrinho não é acusado de ter morto o cavalo ou assustado o realizador. Mas a intuição dos espectadores diz-lhes que foi ele, já que sabe bem o que o padrinho desejava do cineasta.

Mesmo depois de ter aprendido isto com “O Padrinho”, continua a ser chocante saber que um jornalista de Hong Kong foi agredido com um cutelo, ficando gravemente ferido. Tudo o que posso fazer agora é rezar pela sua recuperação e rezar também por nós, para que não entremos no caminho apontado por Scorsese e Orwell.

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