As necessidades do ensino especial

Os alunos com necessidades educativas especiais são um pequeno grupo de estudantes normais que requerem uma forma de ensino especial. Sob o impulso especial do Governo nos últimos anos, a “Educação Inclusiva” tem crescido de forma vigorosa e recebeu o apoio dos professores nas escolas normais. O autor deste artigo visitou diversas escolas que aderiram ao projecto “Educação Inclusiva” para compreender o alcance do trabalho dos profissionais na linha da frente e trocar ideias com responsáveis de diferentes níveis, tais como directores de escolas. O autor gostaria de partilhar as suas impressões e sugestões sobre o trabalho realizado nestes poucos anos de “Educação Inclusiva”.

A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) tem feito todos os possíveis para promover a “Educação Inclusiva”. Além de elevar o subsídio para a educação todos os anos, a DSEJ também deu início à formação multiplex de ensino [diferentes unidades educativas dentro de uma mesma escola], para melhorar a implementação da educação inclusiva e aumentar o conhecimento profissional dos professores. No entanto, o autor entende que a “Educação Inclusiva” é contrariada por uma série de elementos. As dificuldades abrangem as vagas em número insuficiente para as necessidades especiais, o conhecimento superficial dos professores sobre “Educação Inclusiva”; e, mais importante, o grau de aceitação por parte dos responsáveis das escolas não é tão grande quanto o público esperaria.

Em primeiro lugar, há lugares insuficientes para os alunos com necessidades especiais. Esta falha surge porque nem todas as escolas em Macau participam neste projecto. O autor acredita que as próprias escolas devem assumir a total responsabilidade sobre esta questão.

Comparativamente, as escolas públicas devem ter mais responsabilidades sobre a admissão de alunos com necessidades especiais. No entanto, nem sempre é o caso: as escolas públicas não só rejeitam os alunos com necessidades especiais, como persuadem os pais das crianças com inteligência normal a inscreverem os seus filhos em turmas para aqueles que têm necessidades de ensino especial.

Os responsáveis das escolas defendem que os alunos com necessidades especiais devem ser deixados a defenderem-se sozinhos. Isso intensifica a segregação e provoca a animosidade, mas os pais mais desfavorecidos estão inabilitados para alterar a situação.

Em segundo lugar, os professores apenas têm um conhecimento limitado de “Educação Inclusiva”, o que depois prejudica as necessidades especiais dos alunos e das suas famílias. Apesar de haver grande quantidade e diversidade de cursos de formação organizados pela DSEJ, isso só muda o nível exterior de conhecimentos das pessoas, mas não muda a compreensão inerente.

Em terceiro lugar, os responsáveis das escolas são centrais para darem um impulso à “Educação Inclusiva”. Apesar da imensa quantidade de subsídios atribuídos pela DSEJ, eles não têm competência para regular as escolas subsidiadas. Os responsáveis não têm poder de requerer às escolas o número de matrículas para os alunos com necessidades especiais, apenas podem sugerir e encorajar as escolas a procederem à implementação. Este fenómeno lamentável está, talvez, relacionado, com o legado histórico.

Por último, o autor gostaria de agradecer a todos os dedicados profissionais na linha da frente a sua devoção altruísta que beneficia substancialmente os alunos. É um facto que, aceitemos ou não, as necessidades de ensino especial existem entre nós e nunca serão dissipadas pela atitude pessoal. O que os alunos de ensino especial precisam, realmente, é de um direito imparcial à educação, um ambiente de ensino inclusivo e professores atentos. Não podemos viver no passado e é provável que passem ainda muitos anos até Macau decidir resolver os problemas sobre a “Educação Inclusiva”.

Se existe alguma esperança em termos do que os alunos com necessidades especiais  podem esperar, é que todos os professores e responsáveis das escolas reavaliem o significado de educação, respondam com urgência ao apelo do público e ajudem a acelerar as coisas na direção certa. Vamos começar a reformular esta situação começando pelas etapas mais básicas!

*Docente de ensino especial

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