(In)diferenças Urbanas 1

Paulo Mendes Ricardo*

 

 

A particularidade da periocidade desta rubrica permite reflectir sobre os temas que toda vida fui estudando, em contraponto com a compreensão desta “nova” cidade por onde tropeço diariamente.

Nesta perspectiva, será interessante abordar paralelamente o desenvolvimento contemporâneo das cidades nestes dois, que são agora os meus mundos, o ocidental e o oriental.

Na prática, as cidades contemporâneas, no mundo ocidental, têm uma evolução muito idêntica. Por esse motivo partilham, também, diversos constrangimentos, ambiguidades e problemas, assim como pontos interessantes, zonas de invejável qualidade, representativas do que o engenho humano é capaz e de uma evolução desprendida como se um organismo se tratasse.

Sem querer fazer uma generalização grosseira, as cidades eram pequenos e únicos centros administrativos, culturais e de decisão, de dimensões reduzidas e com pequenos grupos de habitantes que povoavam de forma dispersa o território.  Apesar dos pequenos aglomerados, era ainda a atividade agrícola que ditava as regras de um tempo lento e vagaroso com a marcação do ritmo a ser feito pela terra.

Efectivamente, com a prevalência e crescimento dos pequenos aglomerados, começa a existir uma mudança de ritmo significativo nas cidades – a “cidade” passa a ter uma dimensão mais humana e menos rural. As populações começam a dominar o meio citadino.

A cidade ganha valências, os seus habitantes, passam a poder dispender tempo em actividades que não estão relacionadas directamente com a produção agrícola.

O meio rural começa a mudar de uma produção de consumo próprio para uma produção de quantidade e especializada.

Os edifícios passam a ter uma dimensão vertical que, até então, era apenas característica dos edifícios religiosos ou de poder. Acompanha esta nova dimensão também a distribuição funcional dos edifícios. Passa a existir um nível térreo dedicado às atividades comerciais, sobreposto por dois a cinco níveis de habitação e, por final, uma cobertura habitável aonde geralmente viviam as populações com menos recursos.

 

Falta, porém, referir que o factor mais importante, que influenciou diretamente todas as mudanças supracitadas, é a tão importante Revolução Industrial.

A introdução da indústria (ou do modelo industrial, de produção de produtos em série) foi responsável pelo êxodo rural, a mudanças dos paradigmas do usufruir, do habitar do homem. Apesar disso, também permitiu um desenvolvimento humano, cultural e também económico destas regiões.

 

Consequentemente, após o aumento da urbe, e da ocupação das zonas limítrofes do centro e da entrada do sector agrícola em decadência, passa-se de uma cidade de pequenas dimensões para uma outra que pretende receber o maior número de pessoas possível.

 

Na verdade, com o progresso da revolução industrial, ocorre a determinado momento uma forte estagnação do crescimento das cidades. Procura-se, nesta altura, a resolução dos problemas criados com a explosão demográfica, no entanto, as populações são cada vez mais exigentes no que diz respeito às necessidades de conforto no que refere o seu quotidiano.

 

Em suma, as cidades tal como as conhecemos hoje no mundo, sofreram uma significativa mudança nos últimos dois séculos e meio. Contudo, se idêntica reflexão recair sobre as cidades asiáticas, chego à conclusão que têm histórias com pontos semelhantes, mas, naturalmente, com diferenças acentuadas no seu desenvolvimento e criação. É o que me proponho reflectir na próxima rubrica .

 

(continua…)

 

* Arquitecto

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